segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sarau Manguinhos Vive - Dia 22 de Abril


Sarau Manguinhos Vive
Dia 22 de Abril - 18h
Programação: em Construção

Terra de Santa Cruz

ao batizarem-te
deram-te o nome: puta
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em
ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salve-lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança dos rende-vouz
de impérios atrás

meu coração é tão hipócrita
que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram no Ipiranga
às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta.

fosse o brazil mulher das amazonas
caminhasse passo a passo
disputasse mano a mano
guardasse a fauna e a flora
da fome dos tropicanos
ouvisse o lamentos dos peixes
jandaias araras e tucanos
não estaríamos assim
condicionados
aos restos do sub-humano

só desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha com as chaves dos mistérios
desta terra tão servil:

tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu

bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas as estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda esta gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrabam ó mãe gentil!

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra
a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
até hoje não vieste à minha porta
- foi u m puta golpe

o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal Quinta feira
na geléia geral brazileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my Brazil

minha verde/amarela esperança
Portugal já vendeu para a França
é o coração latino balança
entre o mar de dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal Sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que a muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupi & rock in roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola e guaraná

o sonho rola no parque
o sangue ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

ó baby a coisa por aqui não mudou nada
embora sejam outras siglas no emblema
espada continua a ser espada
poema continua a ser poema

Artur Gomes
FULINAÍMA MultiProjetos
In Couro Cru & Carne Viva
portalfulinaima@gmail.com
(22)99815-1266 - Whatsapp

quarta-feira, 29 de março de 2017

jura secreta 29



jura secreta 29

a luz branca de outono
deságua em mim
como mar de outrora
águas de outras eras
em ondas de sal
pra me benzer  aurora boreal
nos olhos de quem me vê

Artur Gomes




segunda-feira, 6 de março de 2017

jura mais que secreta



jura mais que secreta

tenho um segredo sagrado
bem mais que ouro guardado
jura bem mais que secreta
o poema em linha curva
sempre corta a linha reta
uma gisele em flor de lótus
que mesmo fosse abstrata
é coisa do amor que se concreta

na quarta ela estava na feira
em espelhos de artesanato
e a  minha língua solteira
cantava um vapor barato
lembrando da vez primeira
que  meu olho viu teu retrato

teu corpo não era papel
era de osso e carne era de carne e osso
e naquela hora do almoço
em meu corpo foi tanto alvoroço
que deixei a comida no prat0

Federico Baudelaire

http://federicobaudelaire.blogspot.com.br/2017/03/jura-mais-que-secreta.html

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017