domingo, 24 de março de 2013

Poética Fulinaímca

Poética Fulinaimica


da pedra da Gávea
ela pulou pra a PUC
onde Sarte andou dizendo
:
Bovoir é o que queremos

Stella ainda passeia
direto na veia
no vício de amor não saciado
naquele encontro marcado
em tudo que não fizemos


ainda que fosse viagem
de metrô ou fantasia
e o assunto que eu mais queria
fosse o que não dissesse
e o mar apenas trouxesse
gaivotas sobre os cabelos
vento sol maresia
e o líquido que não bebemos
fosse conhac ou cerveja

mesmo assim que a vida seja
o que entre os pelos lateja
o que a tua língua não prova
o que a tua boca não fala
e a prova das dezessete te levasse mais cedo
mesmo assim não tenha medo
palavra entre os meus dedos
é o que aina não disse
miragem essa coisa nova
agora re-visitada
naquela hora marcada
do enconto que não tivemos



artur gomes



quinta-feira, 21 de março de 2013

travessia 2




Travessia 2
para Carol e Marco meus queridos sobrinhos
que me hospedam esta semana em Cabo Frio.
Para Dalila Teles Veras, Wilma e Lima e Fernando Aguiar.

essa estrada que me leva
Anchieta Bandeirantes
Imigrantes mesmo de mim
no tudo nada que sou 
nos Retalhos Imortais do SerAfim

passando por Santos em direção a Bertioga
vejo a barcaça no porto
não era o barco torto
daquele poema de antes
mas me lembrou o inferno
da Divina comédia de Dante

olhando Wilma Vermelha
pensei Dalila de Veras
um homem tem muitas Eras
na carne da sua memória
algaravias terrenas
águas de mares e rios

o corpo é micro do cosmos
solitária ponte pras ilhas
istmo de pedra e sal
entranhado nos pelos nos poros

como alguma língua na língua
lambendo uma outra língua
a língua mãe Portugal




arturgomes

terça-feira, 19 de março de 2013

Karla Julia - Lua Nova




Primeiro Vídeo da Oficina de Poesia Falada, realizada de 4 a 9 de março com Karla Julia interpretando Lua Nova, poema do seu livro Alma Nua - Direção: Artur Gomes


Lua Nova

Nas noites em que custo a dormir,
escrevo, en-lou-que-ci-da-men-te.
E com meu anjo, crio pontes
através de meus poemas.

Não nos falamos, nossa voz corre em versos,
que se espalham através de nossa corrente sanguínea.
Junto a ele, emigrantes viramos, 
mal quero saber para onde vamos,
mas os deuses, que tudo nos contam, nos disseram...
nossas almas...são macho e fêmea.

Ele, que reza junto comigo, 
não se converteu.
Eu, que peço por ele, 
jurei por todos os séculos e séculos,
amém.
Bem sei que nunca teremos nosso réquiem.

Gosto disso... nossa poética é oculta.

Karla Julia
poema do livro – Alma Nua

segunda-feira, 18 de março de 2013

o mal estar da civilização




o mal estar da civilização

quanto mais me rejeitam  mais vivo
arte não é lazer entretenimento
arte é incomodAção

tenho o olho no obsceno
no sexo no trágico
no olho do furacão

na planície no planalto no cerrado
no mal estar da civilização

faço o que freud disse
abstrato muitas vezes concreto
não faço poema fino
só duro bem grosso e reto




canibal antropofágico

lírico ou trágico
em botafogo todo jogo eu topo
a mina trampa quando trapa
eu ouço o rappa
e me aposso da cidade como posso

tenho sangue goytacá não carioca
canibal antropofágico
gosto de tua frente
e muito mais das tuas costas

não gosto de gato por lebre
mas sei também que tem quem gosta




poética 53

haveria outra forma de amar-te
arte e paixão tamanha
que entra nas entranhas
quando roça a carne
na pele dessa tela
e vem como quem se deita
e dorme com um poema ereto
entre o vão das coxas


artur gomes

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sarau no Sonnetto ano 2




SARAU NO SONETTO - ANO 2!!
SÁBADO 23 DE MARÇO AS 17H - SARAU NO SONETTO DE VOLTA!!!
Uma homenagem às mulheres com muita poesia e música!


Jura Secreta 18

te beijo vestida de nua
somente a lua te espelha
nesta lagoa vermelha
porto alegre caís do porto
barcos navios no teu corpo
peixes brincam no teu cio
nus teus seios minhas mãos
as rendas íntimas que vestias
sobre os teus pelos ficção

todos os laços dos tecidos
e aquela cor do teu vestido
a pura pele agora é roupa
e o sabor da tua língua
e o baton da tua boca
tudo antes só promessa
agora hóstia entre os meus dentes

e para espanto dos decentes
te levo ao ato consagrado
se te despir for só pecado
é só pecar que me interessa


Artur Gomes

segunda-feira, 11 de março de 2013

a flauta e a vértebra



A FLAUTA VÉRTEBRA

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.

Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

(tradução: Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman)

segunda-feira, 4 de março de 2013

A Arte é o que resiste


 poesia visual fátima queiroz


A Arte é o Que Resiste.

Ela Resiste à Morte a Servidão e A Vergonha.
Gilles Deleuze


Ainda vai levar um bom tempo  para a humanidade compreender Arte e se beneficiar dela.  Alguns comentários que leio sobre o assunto me aterrorizam, principalmente por saber que no Brasil professores do ramo ainda se perguntam O Que é Arte? E pensam que uma simples ilustração seja Poesia Visual. E o que é mais aterrorizante é saber que em Escolas Municipais, Estaduais e Federais, professores são obrigados a darem notas para estudantes passarem de ano sem o cumprimento das mínimas exigências da LDB, contribuindo  dessa forma para a perpetuação desse Estado de Ignorância.


Federico Baudelaire