quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

RECEITA PARA LAVAR PALAVRA SUJA



Mergulhar a palavra suja em água sanitária.
depois de dois dias de molho, quarar ao sol do meio dia.
Algumas palavras quando alvejadas ao sol
adquirem consistência de certeza. Por exemplo a palavra vida.

Existem outras, e a palavra amor é uma delas,
que são muito encardidas pelo uso, o que recomenda esfregar e bater insistentemente na pedra, depois enxaguar em água corrente.

São poucas as que resistem a esses cuidados, mas existem aquelas.
Dizem que limão e sal tira sujeira difícil, mas nada.
Toda tentativa de lavar a piedade foi sempre em vão.

Agora nunca vi palavra tão suja como perda.
Perda e morte na medida em que são alvejadas
soltam um líquido corrosivo, que atende pelo nome de amargura,que é capaz de esvaziar o vigor da língua.

O aconselhado nesse caso é mantê-las sempre de molho
em um amaciante de boa qualidade. Agora, se o que você quer é somente aliviar as palavras do uso diário, pode usar simplesmente sabão em pó e máquina de lavar.

O perigo neste caso é misturar palavras que mancham
no contato umas com as outras.
Culpa, por exemplo, a culpa mancha tudo que encontra e deve ser sempre alvejada sozinha.

Outra mistura pouco aconselhada é amizade e desejo, já que desejo, sendo uma palavra intensa, quase agressiva, pode, o que não é inevitável, esgarçar a força delicada da palavra amizade.

Já a palavra força cai bem em qualquer mistura.
Outro cuidado importante é não lavar demais as palavras
sob o risco de perderem o sentido.

A sujeirinha cotidiana, quando não é excessiva,
produz uma oleosidade que dá vigor aos sons.

Muito importante na arte de lavar palavras
é saber reconhecer uma palavra limpa.

Conviva com a palavra durante alguns dias.
Deixe que se misture em seus gestos, que passeie
pela expressão dos seus sentidos. À noite, permita que se deite, não a seu lado mas sobre seu corpo.

Enquanto você dorme, a palavra, plantada em sua carne,
prolifera em toda sua possibilidade.

Se puder suportar essa convivência até não mais
perceber a presença dela, então você tem uma palavra limpa.

Uma palavra LIMPA é uma palavra possível.

Viviane Mosé
Poema venedor do IV FestCampos de Poesia Falada
Campos dos Goytacazes- 2002

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Inquitetude - Flávia Vasconcelos de Brito - Lançamento


Inquietude – Flávia Vasconcelos de Brito - Lançamento

Flávia compartilhou sua poesia conosco nesta última terça na Livraria Argumento, quando foi lançada a XXIª Edição do Congresso Brasileiro de Poesia, que acontecerá de 30 de setembro a 5 de outubro em Bento Gonçalves, Rio Grande do Sul.

Nesta Quarta 30 de janeiro Flávia lança o seu livro de Poesia, Inquietude, na Livraria da Travessa – Rua Visconde de Pirajá, 572 – Ipanema – Rio de janeiro com coquetel a partir das 19h.


Sobre A Poesia de Flávia já disseram:


 “A poesia itinerante da jornalista Flávia Vasconcelos de Brito continua peregrinando pelas livrarias. Agora é a vez da Livraria da Travessa de Ipanema fazer o lançamento do livro Inquietude, que trata da descontinuidade, a incoerência e a dilaceração da experiência. O evento no RJ acontecerá dia 30 de janeiro, a partir das 19h, com coquetel.

A jornalista convida amigos, clientes e parceiros para este encontro, numa das livrarias mais completas e interessantes do Rio de Janeiro. O lançamento de Inquietude será boa oportunidade para encontro entre
pessoas interessantes e happy hour cultural num dos bairros mais charmosos da cidade!

Sobre Inquietude, característica plural do ser, o livro fala de um dinamismo convulso e febril das polaridades humanas e do desejo indócil de ser vastidão e nada ao mesmo tempo. Flávia engendra a realidade por meio da poesia, numa seriação de palavras, signos e significados que expõem o instante até o limite irrespirável do fragmento.

Artur Gomes
coordenador Nacionald e Literatura e Áudiovisual do Proyecto Cultural Sur Brasil – contato: poebrasoficial@gmail.com

fulinaíma produções

domingo, 20 de janeiro de 2013




A Traição das Metáforas 10

mc tinha uma flor na boca quando a encontrei dentro do cerrrado no planalto central do país quando me viu m colocou a flor do lado esquerdo do rosto c me arrastava nas asas do avião para o outro lado da ponte do lago zul onde lourenço de bem inaugurava sua última instalação concreta lilia diniz cozinhando doce de goiaba como fazia cora coralina e no meu colo alice me chamava de pai e carinhosamente me beijava a orelha direita enquanto engels espíritos sacava da trincheira seu portifólio de gaitas e num sopro sioux selvagem estremeceu o mar de árvores toras onde m me esperava já com a flor no umbigo e com suas unhas vermelhas c cantarolava por enquanto vou te amar assim admirando teu retrato pensando a minha idade e o que trago da cidade embaixo as solas dos sapatos

arturgomes

sábado, 19 de janeiro de 2013

congresso brasileiro de poesia - lançamentos




CONGRESSO BRASILEIRO DE POESIA PROMOVE SESSÃO DE AUTÓGRAFOS NA LIVRARIA ARGUMENTO LEBLON

Em sua vigésima primeira edição, o Congresso Brasileiro de Poesia é um dos mais tradicionais e longevos festivais de poesia do Brasil e também da América Latina. Realizado anualmente na cidade gaúcha de Bento Gonçalves, o evento caracteriza-se por sua programação voltada em sua maior parte para as escolas do município, atingindo um público aproximado de 25 mil pessoas.

Entre os inúmeros projetos que compõem o evento, destacam-se:“Poesia na Escola”, que consiste na distribuição de livros de poesia aos alunos como forma de incentivo à leitura, “Autor Presente na Sala de Aula”, que leva os autores para as escolas, e “Poesia na Vidraça”, no qual os estabelecimentos comerciais cedem espaços em suas vitrines para a escrita de poemas, os quais, em muitos locais, permanecem intocáveis ao longo do ano seguinte.

Em suas vinte edições já realizadas o Congresso Brasileiro de Poesia levou a Bento Gonçalves grandes nomes da poesia das três Américas e também da Europa, publicou 16 volumes da coleção“Poesia do Brasil”, 9 da coleção “Poeta, Mostra a Tua Cara”e distribuiu mais de 20 mil exemplares destes livros junto às escolas e comunidade bento-gonçalvense.

No próximo dia 22, a partir das 18 horas, acontece o lançamento oficial da edição 21 do evento e dos volumes 15 e 16 da coleção“Poesia do Brasil”, na Livraria Argumento do Leblon, Rio de Janeiro, seguidos de um grande sarau.

Marina Colasanti é a escritora homenageada do evento neste ano, que acontece entre os dias 30 de setembro e 5 de outubro, na capital brasileira da uva e do vinho e também maior polo moveleiro do país.


Proyecto Cultural Sur Brasil

Ademir Antônio Bacca - Presidente
Artur Gomes - Coordenador Nacional de Literatura e Áudiovisual
May Pasquetti - Coordenadora Nacional de Marketing

contatos: 
adebach@gmail.com
poebrasoficial@gmail.com
portalfulinaima@gmail.com
                 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A Traição das Metáforas 8





A Traição das Metáforas 8


um cavalo marinho cavalga entre as suas coxas federika não conseguia
conter o êxtase dentro do mar de búzios cada jogo era gozo em profusão como uma menina em seu primeiro cio com receio olhou a praia quando viu macabea oculta entre o ciúme os mariscos tentando esconder-se na areia molhada depois da primeira arrebentação quando o veneno de um ferrão de arraia atravessou a porta do assombradado federika sorriu feliz agora com peixes multi coloridos passeando em sus costas entrando pelos poros como quem acende o fogo em todos os cantos escuro da casa seu corpo iluminado  uma constelação celestial ali naquele mar de ostras em que ela sonha dar a luz um dia


Artur Gomes                     

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

juras secretas




Jura secreta 15 sonhos de verão 

lendo em teu livro/corpo 
corpo/livro que me empresta 
este poema é o que resta 
das mil e umas noites de verão 
quando pensei em Teerã 
você sonhava comigo 
e eu coloquei no teu umbigo 
veneno doce da maçã 

e o vermelho sangue da pitanga 
foi o que ficou na minha tanga 
quando beijou meu sexo de manhã 

e eu solto velas ao vento 
na travessia espaço e tempo 
sendo real ou tanto faz 
com a linguagem que invento 
para aportar teu porto e cais 





eu te desejo flores lírios brancos 
margaridas girassóis rosas vermelhas 
e tudo quanto pétala 
asas estrelas borboletas 
alecrim bem-me-quer e alfazema 

eu te desejo emblema 
deste poema desvairado 
com teu cheiro teu perfume 
teu sabor teu suor tua doçura 

e na mais santa loucura 
declarar-te amor até os ossos 

eu te desejo e posso : 
palavrArte até a morte 
enquanto a vida nos procura 





Jura secreta 13
 

o tecido do amor já esgarçamos 
em quantos outubros nos gozamos 
agora que palavro itaocaras 
e persigo outras ilhas 
na carne crua do teu corpo 
amanheço alfabeto grafitemas 

quantas marés endoidecemos 
e aramaico permaneço doido e lírico 
em tudo mais que me negasse 
flor de lótus flor de cactos flor de lírios 
ou mesmo sexo sendo flor ou faca fosse 
Hilda Hilst quando então se me amasse 

ardendo em nós salgado mar e Olga risse 
olhando em nós flechas de fogo se existisse 
por onde quer que eu te cantasse ou amavisse 


Jura secreta 12 

taubaté 
tremembé 
tamanduateí 
tabatinga 
taguatinga 
tracunhenhem 
tucuruví 

toda palavra nua me tesa 
como o t da tua tigresa 
Matisse que nunca vi 




Jura secreta 11 engenho 484 para jiddu saldanha 

arrancar do gesto 
a palavra chave 
da palavra a imagem xis 
tudo por um risco 
tudo por um triz 

o trem bala (cospe esqueletos 
no depósito da Central) 
fuzil pode ser nosso brinquedo: 
novo enredo para o próximo carnaval 



fosse o que eu quisesse 
apenas um beijo roubado em tua boca 
dentro do poema nada cabe 
nem o que sei nem o que não se sabe 

e o que não soubesse 
do que foi escrito 
está cravado em nós 
como cicatriz no corte 
entre uma palavra e outra 
do que não dissesse 





Jura serceta 9 

não fosse o teu amor 
o meu conforto 
e eu teu anjo torto 
como seria 
se a jura secreta 
não fosse mais que um poema 
e se eu não te amasse 
como Glauber no cinema 
o que tenho aqui 
no corpo em transe: a quem daria? 





Jura secreta 8 

hoje vi na rua a palavra ibirapitanga 
que eu não conhecia 
e mesmo não a conhecendo 
já sabia que existia 
assim como: 

ibirapitinga 
ibiratininga 
annhangabaú 
anhanguera 
araraquara 
jabaquara 
ibirapuera 




Jura secreta 7 

fosse Sampa uma cidade 
ou se não fosse não importa 
essa cidade me transporta 
me transborda me alucina 
me invade inter fere na retina 
com sua cruel beleza 

como Oswald de Andrade 
e sua realidade 
como Mário de Andrade 
e sua delicadeza 




o que passou não ficará já foi 
a menina dos meus olhos 
roubou a tua menina 
e levou para festa do boi 

fosse um Salgado Maranhão 
nosso batismo de fogo 
25 de março 
e o morro queimando em chamas 
no canto pro tempo nascer 

e o amor que a gente faria 
o sol acabou de fazer 




Jura secreta 5 

não fosse essa alga 
queimando em tua coxa 
ou se fosse e já soubesse 
mar o nome do teu macho 
o amor em ti consumiria 

Olga Savary 
no sumidouro dos meus dias 

o couro cru 
na antropofágica erótica 
carne viva 
tua paixão em mim 
voraz língua nativa 




a menina dos meus olhos 
com os nervos à flor da pele 
brinca de bem-me-quer 
ela inda pensa que é menina 
mas já é quase uma mulher 




Jura secreta 3 

fosse essa jura sagrada 
como uma boda de sangue 
às 5 horas da tarde 
a cara triste da morte 
faca de dois gumes 
naquela nova granada 
e Federico Garcia Lorca 
naquela noite de Espanha 
não escrevesse mais nada 




não fosse esse punhal de prata 
mesmo se fosse e eu não quisesse 
o sangue sob o teu vestido 
o sal no fluxo sagrado 
sem qualquer segredo 

esse rio das ostras 
entre tuas pernas 
o beijo no instante trágico 
a língua sem que ninguém soubesse 
no silêncio como susto mágico 
e esse relógio sádico 
como um Marquês de Sade 
quando é primavera 




Jura secreta 1 

a língua escava entre os dentes 
                      a palavra nova 
fulinaimânica/sagarínica 
algumas vezes muito prosa 
outras vezes muito cínica 

tudo o que quero conhecer: 
           a pele do teu nome 
a segunda pele o sobrenome 
no que posso no que quero 

a pele em flor a flor da pele 
a palavra dândi em corpo nua 
a língua em fogo a língua crua 
a língua nova a língua lua 

fulinaímica/sagaranagem 
palavra texto palavra imagem 
   quando no céu da tua boca 
a língua viva se transmuta na viagem 




não fosse essa jura secreta 
mesmo se fosse e eu não falasse 
com esse punhal de prata 
o sal sob o teu vestido 
o sangue no fluxo sagrado 
sem nenhum segredo 

esse relógio apontado pra lua 
não fosse essa jura secreta 
mesmo se fosse eu não dissesse 
essa ostra no mar das tuas pernas 
como um conto do Marquês de Sade 
no silêncio logo depois do susto 


Artur Gomes