quarta-feira, 24 de outubro de 2012

de CARLOS DRUMMOND aos DRUMUNDANOS



Jomard Muniz de Britto, jmb
  
Onda e amor, onde amor, ando indagando:
no meio do caminho tinha uma pedra
ou uma perda desnorteadora?
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar, desamar?
Outras palavras
no meio do caminho.
Campo de flores
em grãos de angústia.
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante.
Imensidão de sertões, aquém dos mares.
No meio do caminho
labirintos sem fim.
O tempo que levou uma rosa indecisa
a tirar sua cor das chamas extintas.
Era o tempo mais justo do desamparo.
Nunca esqueceremos esse acontecimento
na vida de retinas famintas.
A MÁQUINA do MUNDO
aos inéditos.
RELÓGIO do ROSÁRIO
aos crentes e céticos.
A vidamor vário passada a limpo?
Rotinas famigeradas.
Roteiros sempre em transe.
Mas, se nos tocou um amor crepuscular,
há que amar diferenças e destinações.
E talvez a ironia,
cruel sarcasmo,
tenha dilacerado a melhor dádiva.
A vida mínima, ávida por amanhecer.
Poesia minimalista, por quase todos.
Jamais esqueceremos
perdas e pedradas.
Deuses entre secas, saques e cercados
sabem do amor que nos punge e que está
pulsando numa fogueira a arder,
no dia findo ou em desejo por vir.
Para quem ser experimental em tempos
de ruina, paupéria e lixões na TV?
DRUMUNDANOS de todo mundo uni-vos
aos leitores e debatedores na Livraria
Jaqueira, entrelugar das caminhadas.

Recife, quase novembro de 2012.

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