terça-feira, 10 de julho de 2012

ALDEIA GRANDE



“É preciso dividir felicidade, é preciso interfeliz nessa cidade” – (Aljor)
  
Que grande aldeia é essa? Que  potência transformadora esse novo-homem-velho, interconectado e autônomo traz? Essas perguntas provavelmente já estão sendo respondidas de diversas formas, sob vários tipos de olhares, leis, políticas públicas (mesmo que débeis e corrompidas), por códigos formais ou informais, e que de alguma forma problematizam  e intensificam a diversidade destes tempos movimentados do agora, com sua impermanência e ressignificados .

 Tudo isso impulsiona inexoravelmente, os muitos ( velhos e novos) fazeres humanos, provocando uma espécie de rede de força sinérgica e contínua, que alimenta uma teia de  muitas diferentes formas , modos e gestos  culturais no interminável dialogo das maneiras várias.


  O homem aldeia-subúrbio-local hoje pode  amplificar seus signos, conectar suas antenas-cabeças-corpos , dinamizar seus diálogos e deixar de ser invisível ao se apoderar dessa mala de ferramentas tecnológicas (antiquíssima), que de certa forma, está mais disponível , propondo interferências e interações renovadas.
  
O homem urbano pode  deixar de ser esse indivíduo-produto-beneficiado das enormes máquinas-cidades de moer gente, pode  deixar de ser esse corpo inerte sem cabeça urbano, encaixotado em edifícios-cavernas e passar continuadamente a questionar os modelos dominantes de vida contemporânea em cidades, corroendo as fundações dessas macroestruturas capitalistas condensadas  em argamassas políticas, que domesticam  e administram seu homogeneizado cotidiano. E, ao resgatar suas múltiplas vozes  e conectá-las, como nos maravilhosos pequenos movimentos estratégicos e pedagógicos das aranhas, com suas teias incríveis que se espalham ali pelo quintal, ele também se modifica e modifica os seus ambientes.

 A Aldeia Grande é música irresponsável e poesia em experimentação, são movimentos inquietos, diversos, partindo dos múltiplos olhares suburbanos.
  
Aldeia Grande é o indivíduo-coletivo, é o homem multicultural, é a diáspora na sua dimensão planetária, é o tempo em movimento, é a reinterpretação das diversas realidades partindo do lugar, é o reconhecimento da geografia única dos ambientes  de vida comum nas periferias,é diálogo direto atemporal com as multiplicidades das configurações urbanas, é política, é arte, é Africárea, é o umbigo do planeta por onde todas coisas saem e entram infinitamente num movimento de renovação constante .
     
E mais ainda, é uma ambiência onde o agora  estará sempre ancorado na  impermanência de qualquer momento ou lugar,  é nossa memória-movimento  estampada em gestos comuns, e que permanece reinventada, como muitos toques dos tambores dos mundo, numa elipse infinita, sem tempo ou lugar .


MARKO ANDRADE
ALDEIA GRANDE

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