quarta-feira, 30 de novembro de 2011

entriDentes


jura secreta 14

eu te desejo flores
lírios brancos margaridas
girassóis
rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema


eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro
teu perfume
teu sabor, teu suor
tua doçura

e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso
palavrarte até a morte
enquanto a vida nos procura


EntriDentes

queimando em mar de fogo me registro
bem no centro do teu íntimo
lá no branco do meu nervo brota
uma onde que é de sal e líquido
procurando a porta do teu cais

teu nome já estava cravado nos meus dentes
desde quando sísifo olhava no espelho
primeiro como mar de fogo
registro vivo das primeiras eras
segundo como flor de lótus
cravado na pele da flor primavera
logo depois gravidez e parto
permitindo o Logus quando o mar quisera


EntriDentes 5


o grito
desestrutura o silêncio
atrás da porta
a lâmina acesa
sangra
sob a luz do abajour lilás
a faca escreve
a palavra morta
dois gumes
na noite que estremece
a voz que cala
e o assassino
limpa a lâmina
como quem come
sua última refeição


artur gomes

terça-feira, 29 de novembro de 2011

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

SEGUNDO DIA DE ATIVIDADES DA 19ª SEMANA DO SABER

                                                      
                                     Os projetos, estandes e laboratórios estão prontos para receber o público nesta quinta-feira, 24/11, segundo dia de atividades. Cultura e produção acadêmica na abertura. Ainda mais estruturada, a 19ª Semana do Saber Fazer Saber entra no seu segundo dia nesta quinta-feira, 24/11, com a realização de novos minicursos, palestras, comunicações orais, visita a laboratórios e grande programação cultural.

Entre os eventos que marcaram a abertura, nessa quarta-feira, está a apresentação da Ciranda de Violões, performance teatral, pintura e cerâmica. O assessor da área de pesquisa da Petrobras, Ricardo Latgé, falou sobre a realidade do pré-sal, de onde a empresa já retira cerca de 210 mil barris dia. A expectativa é de que em 2015, a produção na área do pré-sal alcance 3,7 milhões de barris dia.
Um outro momento marcante das atividades iniciais da Semana foram as homenagens feitas ao ex-diretor da Escola Técnica Federal de Campos, Luciano D´Angelo Carneiro, em cuja gestão foi iniciada a Semana do Saber e, in memoriam, ao ex-aluno do curso de Mecânica e ex-vereador, Renato Barbosa.
Empresas – Nesta quinta-feira vai ser aberta, às 13 horas, a Mostre-se, feira em que empresas diversos segmentos têm oportunidade de manter um intercâmbio com estudantes de cursos técnicos e tecnológicos do IF Fluminense. Este ano, são 76 empresas, quase o dobro da participação em 2010.
A Feira do Saber Fazer Saber foi criada em 1987 e retomada pelo Diretor Geral do campus Campos-Centro, Jefferson Azevedo, e toda a equipe gestora, em outubro do ano passado.
- A Semana do Saber é uma oportunidade das mais importantes para nossa comunidade mostrar sua atividade acadêmica, sua criatividade e seu empenho. Mas para nós da gestão, tão importante quanto isso, é a presença dos estudantes de escolas públicas e a comunidade externa que nos visitam nesse momento – destaca o Diretor Geral em exercício, Helder Siqueira Carvalho.
Veja o site da Semana com toda a programação aqui.
(Foto: Weliton Barbosa)

terça-feira, 22 de novembro de 2011

19ª Semana do Saber Fazer Saber

vídeo produzido na Oficina Cine Vídeo - IFF Campus Campos - Centro

a lavra da palavra quero
video com poesia de Artur Gomes e trilha sonora de Adriana Calcanhoto. Filmado em Cabo Frio e Rio de Janeiro – janeiro de 2010

tô te esperando
vídeo com trilha sonora de Cassia Eller com roteiro de direção de Artur Gomes


Mini Curso – Mostra de Curtas – Cine Vídeo
Dia 25 das 14 às 18:00h
Bloco A – Sala 127
IFF Campus Campos - Centro

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

CAMINHADA DIVULGA 19ª SEMANA DO SABER FAZER SABER


A manhã de sol ameno contribui para o sucesso da Caminhada do Saber, realizada pela segunda vez como evento que antecede à abertura da Semana do Saber. Comunidade participa. Antes mesmo do horário marcado para a confraternização que antecederia a caminhada, diversos servidores e alunos já estavam reunidos na entrada principal do campus. Os organizadores serviram um lanche a base de frutas e água. Depois os inscritos receberam suas camisetas para participar.

Com apoio da Guarda Civil de Campos dos Goytacazes, uma ambulância e uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde, o Caminhada do Saber iniciou pela Rua do Barão, percorreu a Rua Tenente Coronel Cardoso até o Jardim São Benedito.
O retorno aconteceu pela Avenida 28 de Março até a Avenida Dom Bosco, quando dezenas de participantes puderam então fechar o circuito retornando ao campus. Um carro de som foi usado para divulgar a 19 Semana do Saber Fazer Saber, que será iniciada na quarta-feira, 23/11, com diversos eventos acadêmicos, culturais, mostra de pesquisas e a participação de 76 empresas.
Veja site da 19ª Semana do Saber Fazer Saber.

sábado, 19 de novembro de 2011

Conexões Urbanas



Hoje mais uma edição do projeto Conexões Urbanas no Colégio Estadual Paulo Barroso, uma realização do Sesc Ri0 com execução do Sesc  Campos, com Oficinas de Skate, Graffiti, Street Dance, Street Ball e Cine Vídeo. Conexões Urbanas tem coordenação de Heloisa Landin e produção de Nelson Martins. 
Com os professores: Jorginho(basquete), Luciano Paes(skate), Tim Carvalho(dança), Jhony Nunes(graffiti) e Artur Gomes(cine vídeo). 


quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Jazz Free Som Balaio

Hoje, quinta 17, estarei ao lado do meu parceiro Dizzy Ragga, no Arpex no show de pré-lançamento do seu EP Equalizando, contando com as participações Fabian Ifrikan, Ka Preta, LucDubWise, Banda Força Viva e DJ Tago, a partir das 23:00hs. E dia 4 de dezembro estaremos no Sesc Campos, com um Desafio de Rima, além de uma Mostra de Curtas Urbanos dentro do projeto Encontro dos Radicais Livres.


Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midnigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre  minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos
que ardem gemem Arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes
Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

CULTURA DOS EDITAIS – O REMÉDIO AMARGO DOS ARTISTAS

O artista que passa o tempo recluso na solidão do atelier, trabalhando, desenvolvendo sua experiência estética, como um operário da linguagem e do pensamento, está em extinção. É coisa de museu. Ou melhor, é raridade nos museus de arte, hoje em dia, que estão deixando de ser instituições de referência da memória para servir de cenários para legitimação do espetáculo. Às vezes com míseros recursos que ficamos até sem saber, quando deparamos com baldes e bacias nessas instituições, se são para amparar a pingueira do telhado ou se trata de uma instalação, contemplada por um edital para aquisição de obras contemporâneas. O que interessa na politica cultural nem sempre é a arte e a cultura, e sim, o glamour. Em nome da arte contemporânea faz-se qualquer coisa que dê visibilidade. 


As políticas públicas foram relegadas às leis de incentivo à cultura e aos editais públicos. Nunca se fez tanto editais neste País, como atualmente, para no fim fazer da arte um suplemento cultural, o bolo da noiva na festa de casamento. Na fala do filósofo alemão Theodor Adorno: “As obras de arte que se apresentam sem resíduo à reflexão e ao pensamento não são obras de arte”. Do ponto de vista da reflexão, do pensamento e do conhecimento, a cultura não é prioridade. Na política dos museus, o objeto já não é mais o museu que se multiplicou, juntamente com os chamados centros culturais, nos últimos anos. Com  vaidade de supermercado,  na maioria das vezes eles disponibilizam produtos perecíveis, novidades com prazo de validade, para estimular o consumo vetor de aquecimento da economia. A qualificação ficou no papel, na publicidade do concurso.


Esses editais que bancam a cultura são iniciativas que vem ganhando força. Mostram ser um processo de seleção com regras claras para administrar o repasse de recursos, muito bem vendido na mídia, como um método de democratizar o acesso e a distribuição de recursos para as práticas culturais. Mas nem tão democrático assim. Podem ser um instrumento possível e eficiente em certos casos, mas não é a solução, é possível  funcionar também, como escudo para dissimular responsabilidades pela produção, preservação e segurança do patrimônio cultural. Considerando-se ainda a contratação de consultorias, funcionários, despesas de divulgação, inscrição, o trabalho árduo e apressado de seleção , é um custo considerável, em último caso, gera  serviços e renda.


O artista contemporâneo deixa de ser artista para ser proponente, empresário cultural, captador de recursos, um especialista na área de elaboração de projeto, com conhecimentos indispensáveis de processo público e interpretação de leis. Dedica grande parte de seu tempo nesse processo burocrático de elaboração e execução de projeto, prestação de contas, contaminado pela lógica do marketing, incompatível para o artista que aposta na arte como uma opção de vida e meio de conhecimento que exige uma dedicação exclusiva. Ou então, ele fica à mercê de uma produtora cultural, para quem essa política de editais e fomento à cultura é um excelente negócio.


Uma coisa é preocupante, se essa política de editais se estender até a sucateada área da saúde. Imaginem uma seleção pública para pacientes do Sistema Único de Saúde que necessitam de procedimentos médicos, os que não forem democraticamente contemplados, teriam que apelar para a providência divina, já engarrafada com a demanda de tantos pedidos. Nem é bom imaginar. Que esta praga fique restrita nos limites da esfera cultural, pelo menos é uma torneira que sempre se abre  para atender parte de uma superpopulação de artistas /  proponentes pedintes.


O artista, cada vez mais, é um técnico passivo com direito a diploma de bem comportado em preenchimento de formulário, e seu produto relegado ao controle dos burocratas do Estado e aos executivos de marketing das grandes empresas. Se o projeto é bem apresentado com boa justificativa de gastos e retornos, o produto a ser patrocinado ou financiado, mediano, não importa. O que importa é a formatação, a objetividade do orçamento, a clareza das etapas e a visibilidade, o produto final é o acessório do projeto. Claro, existem as exceções.




Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

babel poética 4

dois poemas de Artur Gomes, Baby é Cadelinha e Quero Mais a Carnavalha, estão na magnífica Babel Poética 4 uma das melhores revistas eletrônicas de poesia contemporânea brasileira.

Esta edição de Babel Poética tem como tema norteador para seleção dos textos a idéia de um “eu” poético presente nos poemas. Desse modo, vai-se dum “eu” poético egocentrado, que não se ocupa com essa questão, típico de muito do que se faz na poesia contemporânea, a outros em que ela é problemática, ecoando Rimbaud e reflexão. A esses somam-se poemas em que esse “eu” não se espelha apenas em si mesmo, mas também em “outros”, ou no “outro”, colocando o escritor em confronto social na medida em que esse “eu” existe porque há um “outro”. E é esse “outro”, como um ponto do teatro, que dá o mote para o poema se fazer, rompendo a esquizofrenia egótica e se abrindo para a complexidade das relações sociais, expondo um país obscuro, cuja miséria começa em casa e continua nas ruas, e no qual se pode ter no “outro” não apenas o diverso, mas o adversário, como uma cobra pronta para picar.

clic o link abaixo para conhecer a Babel 

eu quero mais a carnavalha


me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha
quero muito mais a carnavalha
do que a palavra açucarada
quero a palavra sal do suor da carne bruta
a flor de lótus do cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos
me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios

fulinaimicamente



fulinaimicamente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
no improviso do repente
do som dessa palavra
nasce uma outra palavra
fulinaimicamente
brasileiro sou bicho do mato
brasileiro sou pele de gato
brasileiro mesmo de fato
yauaretê curumim carrapato
em rio que tem piranha
jacaré sarta de banda
criolo tô na umbanda
índio fui dentro da oca
meu destino agora traço
dentro da aldeia carioca
Jackson do Pandeiro
Federico Baudelaire
nas flores do mal me quer
Artur Rimbaud na festa
de janeiro a fevereiro
itamar da assunção
olha aí Zeca Baleiro
no olho do mundo
no olho do mundo cão
arturgomes

conexões urbanas - sesc campos

terça-feira, 8 de novembro de 2011

a traição das imagens



 isto não é uma árvore
para rennè magritte


tudo em tua fortaleza
respira mar
mergulho ondas
na praia do futuro
aqui presente
sem nenhum passado
que o tempo
possa me mostrar
intra afogados na porta do silêncio
homens respiram óxido de carbono
entre o esgoto e o concreto
e o dia grita o desespero
na barbárie absoluta
que a cidade não desfaz


artur gomes

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

a cena negra brasileira

primeira festa de ragga em campos

KILOMBO XXI




Ao toque do tambor, encantada pela sinergia dos orixás, a diáspora africana ainda hoje sustenta nossos fundamentos neste mundo sempre novo. Demarca nossas referências através dos ensinamentos dos quilombolas de Zumbi, mas também de Ganga Zumba, Dandara, Manoel Congo de Solano Trindade e outros homens e mulheres afrodescendentes. Tão fortes, tão modernos, tão importantes, que suas ideias e ações povoam ainda nosso imaginário e nossa realidade.  Trafegando por essas imensas infovias, estradas carroçáveis do mundo atual, Zumbi prossegue em seu levante, fazendo circular a possibilidade de trocas constantes, universalizando a natureza multicultural de nossa matriz africana, impondo-se no século XXI como uma forma agregadora capaz de sobreviver ao tempo. E, para além de impregnar o cenário cultural atual, capaz de dar continuidade à incrível saga de Palmares, distribuindo, lá adiante, numa espiral infinda de fé, generosidade, transformação e liberdade para todos, sempre. Axé, Zumbi.

KILOMBO XXI
ALDEIA GRANDE
MARKO ANDRADE