segunda-feira, 31 de outubro de 2011

grupo cultural cara da rua – conexões urbanas



O Grupo Cultural Cara da Rua de Miracema, fez uma magnífica apresentação no projeto Conexões Urbanas, neste último sábado no ciep João Borges Barreto em Ururaí, com o seu grupo de Percussão e sua Cia de Dança, que apresentou o espetáculo Espíritos. O Grupo Cara da Rua, foi formado dentro do programa Tempo Livre do Sesc Rio,  e foi orientado em sua formação pelo grupo Afro Reggae. O projeto Conexões Urbanas é uma realização do Sesc Rio, executado pela sua Unidade de Campos e tem em sua programação, Oficinas de skate, graffiti, basquete de rua e street dance, com coordenação de Heloísa Gomes Landin e produção de Nelson Martins, documentação fotográfica e vídeográfica de Artur Gomes. A partir do dia 11 de dezembro o Conexões Urbanas estará na Escola Estadual Paulo Barroso em Goytacazes.

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

ReVirando a Tropicália - fotos


fotos da performance poético musical ReVirando a Tropicália, 
com Artur  Gomes, Dizzy Ragga e Júnior Brasil realizada no Sesc Campos 
nos dais 26 e 27 - outubro 2001 - fotos: Helo Landin


Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscado a vida
antes que seja tarde
e que a língua da minha boca
não cubra mais tua ferida

entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

minha terra é de senzalas tantas
enterra em ti milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada  em ti como canavial
que a foice corta
mas cravado em ti me ponho a luta
mesmo sabendo o vão –
estreito em cada porta

artur gomes

Tereza Campello debate a erradicação da miséria

O surgimento de uma nova classe média e o perfil desse novo consumidor serão tratados em seminário promovido pelo Brasilianas.org

A erradicação da miséria, uma das prioridades do governo Dilma Roussef, será debatida por especialistas no próximo dia 1º de novembro, em São Paulo. O evento, que faz parte do calendário de seminários do Brasilianas.org, da Agência Dinheiro Vivo, terá a presença da ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Tereza Campello.

O seminário vai discutir a migração e o potencial de crescimento das classes socais, o perfil dos novos consumidores e as regiões de maior expansão, entre outros temas. Além da ministra, outros nomes participam dos debates, como o reitor da UFMG, Clélio Campolina; o economista da Unicamp, Eduardo Fagnani; o diretor do Data Popular, Renato Meirelles; e o consultor do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Flávio Comim.

A inserção das classes C, D e E na economia nos últimos anos, um dos grandes feitos do governo Lula, criou uma nova classe média no país. Conforme dados do Centro de Políticas Sociais da FGV, entre 2001 e 2009, a renda per capita dos 10% mais ricos aumentou em 1,49% ao ano, enquanto a renda dos mais pobres cresceu a uma taxa de 6,79% por ano.

Somente entre 2008 e 2009, a taxa de pobreza caiu de 16,02% para 15,32%. Os números mostram também que, na época do auge crise financeira de 2009, a classe C cresceu mais em termos proporcionais do que as demais classes, chegando em 2009 a 94,9 milhões de brasileiros -- cerca de 50% da população. Diante desse cenário, a nova classe tornou-se alvo de empresas e de partidos políticos, que veem aí também o novo eleitor.

Com a emergência do novo consumidor, a questão agora é fazê-lo inserir-se na sociedade como cidadão e agente social. O Bolsa Família tem sido o principal fator desse processo, contribuindo na diminuição das desigualdades sociais, registrando queda da pobreza extrema de 12% em 2003 para 4,8% em 2008.
Programação completa do evento,clique aqui.

SERVIÇO

Data: 1º  de novembro  de 2011
Horário: a partir das 09h15
Local: Auditório Assis Chateaubriand
Rua Augusta, 1660 – Cerqueira César (Garagem)
Av. Paulista, 2200 – Cerqueira César
São Paulo

Informações e inscrições: (11) 3667-2818 Ramal: 24
Email: eventos@advivo.com.br

CARYBÉ O MAIS BAIANO DOS ARTISTAS

p/ Almandrade

 
Um artista com muitas homenagens na bagagem. Na história da arte, é um fenômeno raro a comemoração do aniversário de um artista em praça pública com a presença de cerca de um mil e quinhentos convidados, como os setenta anos de Carybé em 1981, no Largo do Pelourinho. As homenagens são merecidas, mas abafam a obra do artista, depois da festa, ela fala mais alto, reclama um olhar inteligente. Um trabalho invejável de quem dedicou uma vida a observação do mundo para eternizá-lo em obra de arte, ainda sem uma avaliação ou um estudo crítico mais depurado. 

A geração de artistas iniciadores do modernismo na Bahia, da qual faz parte Carybé, reinou por um bom tempo no cenário cultural baiano incentivada pelo Estado. Os artistas que vieram depois queixaram da falta de espaço e mercado dominados pelos modernos surgidos na década de 1950. Passaram-se os tempos. Atualmente, em nome da arte contemporânea houve um desprezo pelo passado que contaminou até a academia. É mais fácil se localizar um estudo acadêmico sobre um jovem artista, ainda sem trabalho suficiente para justificar um investimento conceitual do que sobre uma obra construída ao longo de um determinado tempo, que faz parte da história das Belas Artes na Bahia. 

Artistas como Carybé, Raimundo Oliveira, Genaro de Carvalho, entre outros vão passando despercebidos, esquecidos na parede de algum colecionador ou no canto de alguma reserva técnica. Esses artistas representam uma parte de nosso passado pouco estudado. Fazer e pensar a arte é sempre uma forma de debruçar sobre o trabalho do outro, é revisitar também sua própria cultura. “Não se navega o mar da história a bordo da cultura alheia. Cada um terá que fazer sua própria canoa” (Gerardo Mello Mourão). Participar da cultura contemporânea é conhecer e tirar partido da história local e da universalidade. 

O centenário do artista é um momento oportuno, no circuito de arte de Salvador, para pensar e interrogar a produção de um operário da arte e o meio ou ideologia cultural onde emergiu. Nesse caso existe uma rica superfície para responder às provocações ou intenções teóricas do crítico ou pesquisador. O compromisso do artista não era especificidade da arte enquanto um saber e a transgressão do repertório de signos artísticos, nem poderia ser no ambiente cultural de Salvador da época, mas renovou a arte baiana. Artista e etnólogo, Carybé registrou o cotidiano da cidade, foi um dos pioneiros do nosso modernismo tardio e construiu uma linguagem. 

Um artista múltiplo que atuou em vários suportes, desenhos, pinturas, talhas, gravuras e esculturas, aceitando os desafios de cada um deles, sem perder a unidade da linguagem estética adotada. Um trabalho gráfico, narrativo e escultórico. Um muralista que chega a surpreender a arte contemporânea, como no mural situado no interior do banco Bradesco da Rua Chile, um dos mais ousados e bem solucionados do artista, que merece um estudo à parte, infelizmente com sua visibilidade comprometida em função das necessidades operacionais do banco. 

A arte de Carybé mostra a versatilidade do artista e como o olhar é capaz de capturar os seres e as coisas através de uma linguagem plástica, herdada das primeiras escolas modernas. Carybé é um repórter visual que documenta o mundo social da Bahia, o amor, o sexo o trabalho e cenas do candomblé, faz uma composição plástica com o que é possível ver. Seu objeto de conhecimento é o habitante da cidade, a cultura afro, o folclore e as festas populares. Não importa a paisagem e sim o personagem, pescadores, prostitutas, lavadeiras, orixás, filhos de santo, animais. Com um repertório de traços, formas e cores o artista narra alguma coisa e ocupa o espaço do papel, da tela ou da parede, dinamiza e organiza a percepção. Com traços espontâneos e expressivos capta o humano pelo essencial, sem se preocupar com a perspectiva. Era um artista de formação moderna. 
 
Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

hoje no sesc campos - ReVirando a Tropicália

foto: helo landin

 Sesc Rio apresenta:
70 Anos que Não se Foram
Artur Gomes e Dizzy Ragga
participação especial do tecladista Júnior Brasil
ReVirando a Tropicália
Espaço Plural – 19:00h
Entrada Franca


me encanta mais teus olhos
que o plano piloto de brasília
o palácio do planalto o alvorada
me encanta mais as mãos da namorada
que a bandeira do brasil
o céu de anil a tropicalha

quero muito mais a carNAvalha
que a palavra açucarada
procuro  a palavra sal
do suor da carne bruta
a flor de lótus do cio da fruta
mesmo quando for somente espinhos
me encanta muito mais
os pés que a lata chuta
por entender que a vida é luta
e abrir novos caminhos

me encanta mais na lama o lírio
a flor do láscio
os olhos da minha filha
que o ouro dessas quadrilhas
que habitam esses palácios

arturgomes

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

artur gomes e dizzy ragga

foto: helo landin

Artur Gomes e Dizzy Ragga
ReVirando a Tropicália
Dias 26 e 27 outubro – 19:00h
Espaço Plural – Sesc Campos
Entrada franca

fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os  espinhos da Rosa de Noel




black billy

ela tinha um jeito gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra cigana ébria
vomitando doses dos eu cnto
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu

arturgomes

terça-feira, 18 de outubro de 2011

visões periféricas



Sobre o Festival 2011


Visões Periféricas – todo mundo tem a sua

O Festival Visões Periféricas comemora cinco anos. Não se trata simplesmente de um evento dedicado a exibição de filmes. O Visões Periféricas nasceu sob o signo das muitas mudanças que o Brasil e o mundo viveram nos últimos 15 anos, transformações econômicas, sociais, estéticas...Está localizado em uma época, um tempo. O audiovisual que vem das periferias brasileiras surge à margem dos circuitos formais da economia, da arte, da comunicação; e cria suas próprias lógicas de circulação cultural.

Um dado Brasil que até então ouvia falar de si como uma abstração, um conceito - ora proclamado pelos intelectuais da academia, ora comunicado pela grande mídia - vai aprendendo a usar a tecnologia para falar de si e para quem quiser ouvir. É um audiovisual muito falado. Isso é perceptível nos filmes que chegam ao Visões Periféricas. E como poderia ser diferente? A tecnologia que permite a produção e difusão audiovisual a custos cada vez mais acessíveis encontra um Brasil que tem forte tradição oral. Esse Brasil está circulando a velocidade dos bytes pelas redes sociais da internet, imprimindo seu próprio jeito ou “jeitos” de comunicar. Falamos em “jeitos” porque não se pode colocar essa periferia dentro de um mesmo saco, sem reconhecer as diferenças entre as regiões, entre suas expressões culturais. Essa não é uma periferia que pode ser confortavelmente reduzida a conceitos econômicos ou sociais uniformizantes.

Ultimamente têm se falado muito da nova classe média brasileira, da ascensão econômica de milhões de brasileiros, do aumento do poder de consumo nas classes C e D, mas não se fala desses milhões de brasileiros enquanto portadores e criadores de estéticas próprias. Essa palavra do grego - aisthésis - entre outros significados possui o sentido de percepção, sensação...estética, como resultado de uma percepção singular do mundo, como um sentimento particular da vida.

Podemos dizer que essa compreensão da estética é que orienta a curadoria de filmes do Visões Periféricas. Hoje o festival possui exibição em sala de cinema e na internet. Não importa se o filme é feito com um celular ou uma câmera digital profissional de última geração. Se ele tem um trabalho de quadro mais contemplativo ou se é feito com uma profusão de depoimentos falados. Importa que nele se perceba uma potência de vida, de criação, e que ofereça uma visão que possa construir junto aos demais filmes da curadoria, novos conceitos sobre a periferia.

Aqui cabe ressaltar um outro aspecto do festival que faz dele um grande laboratório não só estético como social. Nesta edição recebemos cerca de 600 inscrições e pudemos constatar com satisfação que elas vêm de todos os Estados brasileiros e de realizadores com trajetórias de vida as mais diferentes possíveis, inclusive de quem não se encaixaria em uma noção tradicional de periferia, criada a partir de um espaço geográfico ou de uma classe econômica. Esses filmes e seus realizadores também têm presença garantida no festival. A ideia é que a partir do encontro entre todos eles com histórias e origens diferentes se forme uma rede de contatos que ajude a romper os preconceitos sobre a periferia e permita uma circulação permanente de sentido sobre ela. Dos 106 filmes exibidos, 70 são inéditos no Rio de Janeiro. Isso é motivo de orgulho e demonstra a importância que o festival assume no cenário audiovisual brasileiro e carioca.

Não estranhe se você for ao festival e acompanhar em uma mesma sessão o debate de realizadores vindos de uma comunidade indígena, da favela e de um bairro de classe média alta do Rio de Janeiro. É justamente esse estranhamento que buscamos ano após ano, o que nem sempre torna fácil a compreensão do que é o Festival Visões Periféricas. Mas acreditamos que esse é um estranhamento a que estamos cada vez mais sujeitos e, diríamos mais, um estranhamento necessário para que nos percebamos cada vez mais como sujeitos pertencentes a uma comunidade global, cidadãos do mundo.

O Festival Visões Periféricas 2011 (5ª edição) - Audiovisual, Educação e Tecnologias é organizado, desde 2008,  pela Associação Imaginário Digital (www.imaginariodigital.org.br) e irá acontecer de 19 a 26 de outubro no Oi Futuro em Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 54 - metrô Gal. Osório) e no Centro Cultural Justiça Federal (Av. Rio Branco 241 - metrô Cinelândia), na cidade do Rio de Janeiro (RJ). A entrada é franca.

Todos e todas estão convidados!

o risco

may pasquetti musa da minha cannon

atravessar as portas
ultrapassar janelas
paredes muros cidades
o risco
de te matar
saudade
dentro da boca que quero
de penetrar garganta
laringe esôfago estômago
enquanto
dançamos bolero
sendo um tango
enquanto fado
arrisco
o beijo guardado
num copo de vinho
ou de menta
sabor de pimenta
e alho

e o doce mel da pimenta
enquanto a palavra
entra
pelos teus olhos e abras
teu cais do porto
fechado

arrisco
meus dedos e dados
nos lances mais atrevidos
dos nossos sextos sentidos
por tudo que foi esperado

artur gomes

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

jiddu saldanha - palavra entrelaçada


Estréia dias 20 e 21 de outubro, TEATRO MUNICIPAL DE CABO FRIO
às 20 horas R$ 10,00 (Meia entrada para idosos, crianças e quem levar um texto sobre Amizade).

Palavra Entrelaçada
(Histórias e relatos de amizade)

O Novo espetáculo de Jiddu Saldanha, “Palavra Entrelaçada”, é uma série de narrações onde a amizade entre pessoas e animais são exaltados com o objetivo construir, no coração do público adulto e infantil, a importância de se ter amigos, de se caminhar juntos e viver uma vida onde a palavra solidão é substituída por solicitude e a palavra isolamento é vencida pela força do amor incondicional e desprovido de “interesse”.

Para realizar este espetáculo, Jiddu conta com um repertório que vai desde seu trabalho autoral até pesquisas de lendas antigas de diversas culturas, trazidas para o universo atual e brasileiro.

Algumas histórias contadas neste espetáculo:
·                     
Tipos de Amizade: “De amigos da Onça” a “Arquinimigos”, nesta fala inicial, impregnada de humor, Jiddu fala dos diversos tipos de amizade, citando inclusive “falsos amigos” até chegar aos amigos de verdade. Para aquecer o público e brincar no velho e gostoso estilo de humor brasileiro.
·                     
A Incrível História de amizade entre Gilgamesh e Enkidu – Umas das mais antigas narrativas escritas pelo homem, a história do Rei Gilgamesh foi escrita na antiga suméria e reza a lenda, que teria sido o primeiro texto poético escrito pelo homem desde quando a escrita foi inventada.
·                     
A Lenda de Kintaro: Kintaro é uma antiga lenda japonesa que conta a história de um menino que tinha um curioso grupo de amigos formado apenas por animais. Nas horas vagas ele gostava de passear na floresta e brincar com seus amigos, até o dia em que um desafio maior coloca esta amizade à prova.
·                     
Os animais e os amigos – Esta história autoral, de Jiddu Saldanha, fala do cotidiano entre o próprio autor e experiência com os animais de estimação. Relatos recolhidos a partir de histórias ouvidas dos próprios amigos. Esses relatos foram amalgamados numa única história onde o valor da amizade de cães, gatos e outros bichos tornam-se uma forma de resolver questões entre humanos e oferecer conforto a corações solitários.
·                     
O Amigo Desconhecido: Nesta história, Jiddu Relata atos de solidariedade que ajudaram a salvar pessoas em situação de guerra, pobreza, doença e fronteira entre a vida e a morte. Esta história é um resumo não só de experiências pessoais e familiares mas também fatos ocorridos em situação de guerra, onde a amizade fez a diferença.

Técnicas de narrar de Jiddu Saldanha.

Jiddu Saldanha utiliza como recurso técnico, sua experiência como mímico teatral e ator, mas vai além, sua fala busca uma interação espontânea com a platéia. Em cena, Jiddu narra com um pandeiro na mão e usa sua voz para cantos de sua própria autoria ou de domínio público e alguns compostos especialmente para a estrutura da história a ser narrada.

Recursos como a dança espontânea e o uso de contato interativo com a platéia também aparecem em cada momento, quando é necessário expandir a linguagem narrativa complementar.

O trabalho é todo fundamentado na oralidade mas se abre para cenas onde o silêncio é fluente e presente até a construção da magia no coração do expectador.


Ficha Técnica
PALAVRA ENTRELAÇADA

Direção Geral e Narrador – Jiddu Saldanha
Figurino – Jiddu Saldanha, Felipe Silveira, Chris Rothier e Nicolle Loop
Iluminação Criação: Bruno Peixoto – Execução: Ravi Arrabal
Apoio de produção - Fesq, Tribal
Fotografias – Lara Rothier e Flavio Pettinichi
Revisão Musical – Fernando Chagas
Revisão de Direção – Álvaro Assad
Preparação corporal em Mímica Possível – Bárbara Morais
Consultoria – Zé Bocca, Celso Sisto e Glauter Barros


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

artur gomes - reVirando a Tropicália


Sesc Rio apresenta:
Artur Gomes: ReVirando a Tropicália
Participação especial do rapper Dizzy Ragga
Dias 26 e 27 outubr0 – 19:00h
Espaço Plural – Sesc Campos

fotos: Helo Landin

Viajei De Trem


Fugi pela porta do apartamento
Nas ruas, estátuas e monumentos
O sol clareava num céu de cimento
As ruas, marchando, invadiam meu tempo
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem, eu vi...
O ar poluído polui ao lado
A cama, a dispensa e o corredor
Sentados e sérios em volta da mesa
A grande família e o dia que passou
Viajei de trem, eu viajei de trem
Eu viajei de trem, mas eu queria
Eu viajei de trem, eu não queria...
Eu vi...
Um aeroplano pousou em Marte
Mas eu só queria é ficar à parte
Sorrindo, distante, de fora, no escuro
Minha lucidez nem me trouxe o futuro
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem
Viajei de trem, eu vi...
Queria estar perto do que não devo
E ver meu retrato em alto relevo
Exposto, sem rosto, em grandes galerias
Cortado em pedaços, servido em fatias
Viajei de trem
Eu viajei de trem
Mas eu queria
É viajar de trem
Eu vi...
Seus olhos grandes sobre mim
Seus olhos grandes sobre mim

Sérgio Sampaio



Desde que saí de casa
trouxe a viagem da volta
gravada na minha mão
e enterrada no umbigo 
dentro e fora assim comigo
minha própria condução

Todo dia é o dia dela
pode não ser pode ser
abro a porta e a janela 
todo dia é dia D

Há urubus no telhado
e a carne seca é servida
um escorpião encravado
na sua própria ferida
não escapa só escapo
pela porta da saída

Todo dia é mesmo dia
de amar-te e a morte morrer;
todo dia é mais dia, menos dia
é dia D.

Torquato Neto


VeraCidade

por quê trancar as portas 
tentar proibir as entradas 
se já habito os teus cinco sentidos 
e as janelas estão escancaradas ? 

um beija flor risca no espaço 
algumas letras de um alfabeto grego 
signo de comunicação indecifrável 
eu tenho fome de terra 
e esse asfalto sob a sola dos meus pés 
agulha nos meus dedos 

quando piso na Augusta 
o poema dá um tapa na cara da Paulista 
flutuar na zona do perigo 
entre o real e o imaginário 
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes 
um bacanal de ruas tortas 

eu não sou flor que se cheire 
nem mofo de língua morta 
o correto deixei na cacomanga 
matagal onde nasci 

com os seus dentes de concreto 
São Paulo é quem me devora 
e selvagem devolvo a dentada 
na carne da rua Aurora 

Artur Gomes


Artur Gomes - ReVirando a Tropicália

Sesc Rio Apresenta:
Artur Gomes ReVirando a Tropicália
participação especial do Rapper Dizzy Ragga
Dias 26 e 27 outubro – 19:00h
Local: Espaço Plural – Sesc Campos

Cogito

eu sou como eu sou
pronome
pessoal intransferível
do homem que iniciei
na medida do impossível

eu sou como eu sou
agora
sem grandes segredos dantes
sem novos secretos dentes
nesta hora

eu sou como eu sou
presente
desferrolhado indecente
feito um pedaço de mim

eu sou como eu sou
vidente
e vivo tranquilamente
todas as horas do fim.

funk dance funk

a noite inteira invento joplin na fagulha
jorrando cocker na fornalha
funkrEreção fel fala
fábio parada de Lucas é logo ali
trilhando os trilhos centrais do braZil.
rajadas de sons cortando os ínfimos
poemas sonoros foram feitos para os íntimos
conkretude versus conkrEreção
relâmpagos no coice do coração.
quando ela canta eleonora de lennon
lilibay sequestra a banda no castelo de areia
quando ela toca o esqueleto de Lorca
salta do som em movimento enquanto houver
e federika ensaia o passo que aprendeu com mallarmé
punkrEreção pancada onde estão nossos negrumes?
nunkrEreção negróide nada.
descubro o irado Tião Nunes
para o banquete desta zorra
e vou buscar em Madureira
a Fina Flor do Pau Pereira.
antes que barro vire borra
antes que festa vire forra
antes que marte vire morra
antes que esperma vire porra,
ó baby a vida é gume
ó mather a vida é lume
ó lady a vida é life!
arturgomes