segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O Nada


Ontem eu vi sua sombra, ela estava pálida e não tinha cor.

Você estava igual. Perguntei-me se não sentir nada era a coisa certa, mas em meio a tantos sentimentos fortes de amor e ódio o nada significaria o que?

O nada, simplesmente o nada, me perguntei quem era você, e se eu te conhecia, o nada, de surpresa o nada se instalou em minha alma, quando então o coração tomou o controle do caminho, você deveria estar lá, mas não era mais você, e o vazio veio em seu lugar.

Há muito não tenho pretensões de te entender, há muito notícias suas não são parte de meus interesses, ontem eu vi sua sombra se esvaindo, um vulto enegrecido com meu sangue, lágrimas congeladas como diamantes perdidos, que ontem eu quebrei. Eu pensei em gritar, mas não tive vontade, não tive vontade de coisa alguma, e o nada era o meio termo que eu precisava para encontrar o equilíbrio.

Ontem eu não precisei da sua ajuda, não precisei olhar no espelho.
Ontem eu não precisei de nada.
Eu vi sua sombra e ela se escondia, e a sua covardia, desde o seu medo até a sua crueldade, ontem falaram palavras mudas e não significaram muito, ontem eu não quis ouvir.

Ontem eu não quis falar, porque o nada me tomou por inteiro, e não pensando em coisa alguma, ontem eu fui feliz.

Ontem eu entendi o nada, ontem eu entendi você.
E ontem já é tarde demais.

Michelly S de Almeida.

Nenhum comentário:

Postar um comentário