terça-feira, 27 de setembro de 2011

conexões urbanas - último sábado no ciep clóvis tavares

dizzy ragga e artur gomes - fotos: helô landin

O projeto conexões urbanas faz no próximo sábado sua última rodada no ciep Clóvis Tavares no Parque Esplanada/Leopoldina. A partir do sábado 8/10 conexões urbanas estará acontecendo em Ururaí. Conexões Urbanas é uma realização do Sesc Rio executado por sua unidade de Campos, tem coordenação de Helô Landin e produção de Nelsinho Martins(Meméia) e tem  em sua equipe de professores Jhony Nunes(grafite), Tim Carvalho(dança), Luciano Paes(skate) e Jorginho(basquete de rua). 

mala da fama

Ministério das Comunicações e entidades públicas vão capacitar profissionais de rádios comunitárias



uma iniciativa do ministério das comunicações, em conjunto com entidades públicas de comunicação, entre elas a empresa brasil de comunicação (ebc), e com a associação das rádios públicas do brasil (arpub), permitirá que comunicadores de rádios públicas e comunitárias recebam capacitação profissional.

Os acordos de cooperação foram assinados hoje (26) pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, pela presidenta da EBC, jornalista Tereza Cruvinel, e pelo presidente da Arpub, Mario Sartorello, no Espaço Cultural da EBC, em Brasília. Esta foi a primeira vez que Bernardo visitou as novas instalações da empresa, que administra oito rádios públicas, a TV Brasil e a Agência Brasil.
O ministro destacou que a iniciativa permitirá que a experiência acumulada pelos profissionais dos veículos públicos “bem estruturados e com boas condições de funcionamento” ajudem as rádios comunitárias, “que têm carências que todos conhecemos”.
De acordo com o ministro, a presidenta Dilma Rousseff cobrou medidas para reforçar a atenção do governo federal às rádios comunitárias. Segundo ele, o ministério já lançou um plano de outorgas que deverá habilitar 500 novas rádios comunitárias até o fim do ano.
Ainda segundo o ministro, outro projeto prioritário do governo federal é fortalecer a EBC. “Ouvimos [da presidenta Dilma] uma orientação clara para fortalecermos a EBC, melhorando suas condições de funcionamento e aumentando sua abrangência territorial. Isso é um projeto prioritário do governo.”
Comunicação pública
A presidenta da EBC disse que a adesão à iniciativa simboliza o compromisso com a comunicação pública. Segundo Tereza Cruvinel, a comunicação pública envolve um vasto conjunto que “tem feito com que hoje comece a haver equilíbrio entre o que é estatal, o que é público e o que é privado, cumprindo o que prevê a Constituição Federal”, ou seja, a complementaridade entre os três sistemas de comunicação.
A capacitação dos comunicadores públicos e comunitários, acrescentou o presidente da Arpub, Mário Sartorello, é fundamental para que “possamos prosseguir com o processo de democratização da comunicação no país”.
A parceria prevê, conforme a minuta do acordo assinado com a Arpub, que o ministério ficará encarregado de desenvolver, elaborar e dar apoio técnico aos cursos de capacitação, acompanhando e avaliando os resultados. Além disso, organizará as inscrições dos interessados em participar dos eventos de capacitação, entre outras providências.
As rádios do sistema EBC promoverão oficinas de qualificação no Rio de Janeiro e em Brasília nas áreas de gestão, produção de conteúdo e tecnologia, informou o superintendente de Rádio da Empresa Brasil de Comunicação, Orlando Guilhon.
A Arpub ficará responsável por mobilizar as rádios públicas para aderir à iniciativa e formular os eventos de capacitação em conjunto com o ministério e com as emissoras públicas. As ações de qualificação profissional devem estar voltadas prioritariamente à diversidade cultural e à democracia.
As primeiras entidades a aderir à iniciativa foram, além da EBC, o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), as fundações Aperipê, de Sergipe; de Telecomunicações do Pará (Funtelpa); Cultural Piratini, do Rio Grande do Sul e a Universidade Federal de São Carlos (Ufscar).
(Agência Brasil - reportagem:Alex Rodrigues / edição: João Carlos Rodrigues)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Governo e sociedade civil divergem sobre rumos da banda larga


Em seminário, militantes pela democratização da comunicação criticam o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e cobram mudanças no projeto. Enquanto isso, secretário-executivo do ministério e presidente da Telebrás defendem projeto. Nos próximos dias, decreto presidencial vai impor meta de 60% de entrega de velocidade às teles, enquanto Câmara instalará subcomissão para acompanhar PNBL.

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff deve assinar, em breve, mais um decreto que visa efetivar metas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), lançado no fim de junho. Depois de forçar as teles a oferecer conexão de um mega a R$ 35 por mês, o governo agora promete obrigar as empresas a entregar velocidades mais próximas da teórica. 

“Vamos exigir que as operadoras que tenham mais de 50 mil clientes ofereçam pelo menos 60% da velocidade contratada pelo usuário, imediatamente, em crescente progressão até 80%, no prazo de dois anos”, anunciou nessa quinta-feira (22) o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Cezar Alvarez, durante seminário que discutiu o PNBL na Universidade de Brasília (UnB).

O anúncio, entretanto, foi insuficiente para acalmar representantes da sociedade civil, que andam descontentes com os rumos do PNBL. "As políticas deste governo estão se afastando cada vez mais do horizonte da universalização do acesso", disse o coordenador do Coletivo Intervozes, João Brant. "Nesses nove meses de governo Dilma, o ministério sequer reuniu as entidades para discutir as perspectivas do serviço de banda larga."

Nos próximos dias, a Câmara vai instalar uma subcomissão para acompanhar a execução do plano. Presente ao seminário, o futuro relator da subcomissão, Newton Lima (PT-SP), promete atuar para que o governo ouça os movimentos. “A banda larga está para a nova economia como a energia elétrica esteve para a economia do século passado. É uma tecnologia que serve de suporte para o desenvolvimento econômico e social”, disse.

Mas, até que o diálogo evolua, a sociedade reclama. Uma das principais reivindicações é que o governo troque o objetivo de "massificar" banda larga pelo de "universalizar". A diferença é que, no primeiro caso, vale a lógica do mercado e, no segundo, a da cidadania. 

“Universalizar significa dizer que todos terão determinada qualidade mínima, e quem não puder pagar, será subsidiado”, afirmou Marcos Dantas, que representou, no seminário, a União Latino Americana de Economia Política da Informação, da Comunicação e da Cultura, Marcos Dantas.
O professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e representante da Casa de Cultura Digital, Sérgio Amadeu, acrescentou ao rol de cobranças a exigência de controle social do plano. “O poder das teles é comparável ao do setor financeiro. Por isso, é tão importante o controle social. Quem controla os cabos não pode ter controle dos conteúdos, da tecnologia. Isso é vital para a inovação tecnológica brasileira”, disse.

Para eles e outros representantes das dezenas de entidades que assinam a campanha “Banda Larga para todos”, é um contra-senso o Brasil oferta de um mega de velocidade, enquanto outros países desenvolvidos ou em desenvolvimento planejam universalizar serviços até cem vezes mais rápidos Além disso, a garantia de que o usuário receberá 60% da velocidade contratada foi considerada irrisória. “Nós estamos travando uma discussão que já foi superada no século passado”, disse.

Coordenador do Instituto Telecom e representante da sociedade civil no Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Marcello Miranda acredita que o governo comete três erros principais. Delegar a prestação do serviço ao setor privado. Não regulamentá-lo. E, principalmente, criar dois mundos diferentes: o dos pobres, com acesso a 1 mega, e o dos ricos, que podem pagar por planos mais velozes.
 
Projeto em construção


Cezar Alvarez rebateu as críticas. “Temos um projeto estratégico em construção. A afirmação da banda larga para todos como direito é um projeto a ser disputado”, acrescentou, lembrando que a pressão das operadoras para evitar a regulação do setor tem sido forte e constante. “Não podemos subestimar a oferta de 1Mbps a R$ 35, que melhorará o acesso para todos. Quem paga hoje R$ 45 por 1 MB, passará a pagar por 2." 

Segundo ele, a implantação do PNBL tem sido bastante positiva. “Todas as escolas das áreas urbanas brasileiras já possuem serviço de internet rápida”, exemplificou. Informou também que, até 2014, as doze cidades sedes da Copa oferecerão serviços de internet com velocidade de 4 megas.

O presidente da Telebrás, Caio Bonilha, corroborou a visão otimista. “Os custos da banda larga caíram quase 50% desde que a Telebrás foi reativada, e passou a promover a concorrência do setor”, observou. Para ele, só a competição leva à expansão - enquanto a telefonia fixa, que é fortemente regulada, estagnou, disse, a telefonia móvel, que é aberta, cresce sem parar.

Marcos Dantas contestou. “Os brasileiros têm mais 200 milhões de celulares, mas são celulares pela metade, que apenas recebem ligações, porque seus usuários não têm como pagar pelas tarifas”, rebateu. Para o professor, não foi a competição que provocou a expansão dos serviços de telefonia móvel, mas sim os contratos impondo planos de metas às operadoras.

Caro, ruim e desigual
Governo e sociedade civil concordam em pelo menos um ponto: o atual sistema de banda larga brasileiro é caro, ruim e desigual. O preço médio para um mega é de R$ 45. E o usuário, na maioria das vezes, navega com inferior à metada da contratada, já que ainda não é exigido das operadoras o cumprimento de metas de qualidade. 

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios de 2009 do IBGE, apenas 27,4% dos lares têm acesso à internet.  Na faixa dos que recebem mais de cinco salários mínimos per capita, 75,6% navegavam na rede mundial. Entre os sem rendimentos até um quarto do salário mínimo, eram apenas 13%. 

O presidente da Telebrás acrescentou que, segundo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 12% dos domicílios brasileiros são atendidos por banda larga. E, disse Bonilha, 30% dos brasileiros, que vivem em áreas mais pobres e pouco povoadas, só terão banda larga se o governo assumir sozinho, em função de custos altos e baixo retorno que não estimulam as teles. 

Ele mostrou também que as desigualdades regionais no acesso à internet rápida são imensas. Sul e Sudeste concentram 80% das conexões, enquanto Nordeste e Centro-Oeste possuem 9% cada e, o Norte, apenas 2%. A desigualdade afeta, ainda, a oferta. Dois grandes provedores dominam 90% do mercado. “São os pequenos que promovem a Banda Larga nas 'franjas' das cidades, onde as grandes operadoras não têm interesse de atuar”, afirmou Bonilha.

negro olhar

sábado, 24 de setembro de 2011

VERSO, POESIA E ESTÉTICA


 p/ Wilsom Rocha

A condição essencial da subjetividade lírica depende antes de tudo do domínio da arte poética, da técnica de versificação, que comporta uma forma estrutural em que o mundo sensível, a interioridade e individualidade poética, ou estilo, possam mais facilmente submeter-se
às formas teóricas que a arte exige, pois a estética, mais que uma necessidade, é uma exigência acima de tudo. Todos sabem que neste mundo sempre há quem escreva versos sem ser poeta. E também – como disse Tomachevski – que a língua vulgar contém tudo o que está na poesia, menos poesia.

Na era tecnológica em que vivemos, a decadência da vida civilizada está exaurindo a arte e secando as fontes da criatividade e da vida espiritual do homem. Por isso o conceito de poesia está morrendo na alma do homem contemporâneo, que parece estar-se voltando para a vida
tribal e fixando-se no psiquismo consumista, na irracionalidade do drama ecológico e na imensa e indomável economia das drogas.

Os poemas atualmente produzidos são quase sempre meros atentados contra a língua e a estética, sobretudo em um país provinciano e tradicionalmente iletrado como o nosso onde os pequenos literatos são tão abundantes e televisivos e os poetas se confundem com os fazedores de modinhas, como se a poesia fosse algo tão banal, descartável e massiva como a música popular.

Na conjuntura intelectual da Bahia, onde já não se vêem atualmente jovens poetas eruditos como Jair Gramacho, é reconfortante vislumbrar, contudo, algum brilho na produtividade de uns raros poetas emergentes, como, por exemplo, Carlos Loria, que prestou recentemente um valioso serviço às letras do nosso meio ao traduzir com perícia e brilho todo o fascínio, a magia e o lirismo genial de um dos maiores poetas do século, o norte-americano Edward Estlin Cummings (1894-1962). Além de poeta dotado de forte vocação lírica e bom tradutor, Carlos Loria é um artífice consciente das dificuldades. O seu ofício e seus livros, elegantes e agradáveis, são de boa categoria gráfica, como se vê em Cummings 20 Poemas, edição Código, Salvador, 1990; Casa Clara, Código, 1991, e Territor, Edições Audience of One, Salvador, 1993, ambos de excelente qualidade, poesia marcada pelos sinais pungentes da existência do homem, as cores e os eflúvios do cotidiano, a sombra e a memória da criatura e de seus objetos. Acontecimento sobretudo significativo é a sua tradução dos poemas de Cummings.

any man is womderful
and a formula
a bit of tobbacco and gladness
plus little derricks of gesture

(todo homem é um assombro
e uma fórmula
um pouco de tabaco e júbilo
e um que outro ademane)

Poesia atenta aos rumores e visões que a cercam, que se procura intimamente, obsessivamente buscando novos caminhos, hesitante entre vanguardismo e uma longínqua descendência surrealista, a voz poética de Almandrade (Antonio Luiz M. Andrade), também arquiteto e artista plástico, já com obras publicadas, caracteriza-se por uma dramaticidade não longe nem isenta das grandes preocupações vivenciais do homem contemporâneo, como se vê em seu último livro, Arquitetura de Algodão, onde se encontra esse instante de puro lirismo:

Quando vem
 a noite
 corro atrás
 do sono
 na certeza
 talvez
 de encontrar
 tua imagem
 no sonho.
             (Almandrade)

A força da poesia está no súbito confronto do espírito do homem com o
desconhecido, com o impacto da visão daquilo que não existia antes.

Wilson Rocha

Poemas de Wilson Rocha

DA MULHER 

                Comme l’arome d’une idée
                                             Valéry
Longa e clara cabeleira
no flanco dos quadris,
chama secreta ressurgindo
no ritmo flexível do sexo.


 
A VOZ FEMININA


Nem a escrita dos pássaros
nem os clarins da eternidade
desafiam assim o tempo,
a frescura do azul
e a doce transparência do cristal.
como é branca e nua a voz
feminina.


COMO A ORQUÍDEA 

As formas da orquídea
Embriagam os sentidos
E atingem a plenitude.
Esplêndidas reentrâncias
Na doçura das pétalas,
Feminina, de tão íntima.



A SAN JUAN DE LA CRUZ

Só os amantes e os deuses
Conhecem as forças cósmicas
Do amor sem limites
E da fé íntima dos grandes místicos.




OS DIAS ARDENTES

Como a fértil harmonia da mulher
Ou o inquietante aroma dos frutos
Acariciados pela língua do vento
A lucidez é uma imagem nua
Onde tudo sonha
Onde tudo evola-se
E treme como água
A escorrer sobre o umbigo.



PALAVRAS ALADAS

Palavras aladas do amor –
Prazeres e inquietações –
Como a época de grandeza incalculável
Em que dançávamos como Dionísio
E sentíamos a misteriosa e profunda
Sexualidade das mulheres de Safo
Que entendiam o amor como eternidade.



Num começo de manhã depois do carnaval e antes do aniversário da cidade desaparece Wilson Rocha, solitário, ignorado pela cultura local, poeta baiano nascido em Cochabanba (Bolívia) em 1921 que vivia exilado em sua própria casa. Na mesma casa onde um dia nos anos 50 do século passado, o respeitado poeta Jorge de Lima, passando por Salvador em uma de suas últimas viagens, despediu-se do Wilson. A linguagem poética clássica de sua obra só pode ser vista como um acidente na geografia cultural baiana que se destaca na paisagem pela força de ser uma poesia refinada, construída. São poemas que nos conduzem a territórios que ignoramos. Mas quem disse que os poetas falam daquilo que conhecemos? Ao contrário, eles enfrentam o desconhecido para desafiar a fragilidade do ser humano. Para Bataille: "A poesia não aceita os dados dos sentidos em seu estado de nudez, mas ela não é sempre, e até mesmo raramente ela é o desprezo do universo exterior". Foi isso que fez Wilson ao transformar o desencanto do presente em poesia, elevando a beleza a uma relação de inteligência e prazer com o mundo.

Os últimos anos de Wilson foram vividos em condições precárias, sem o reconhecimento que o seu trabalho merece, ele, que foi importante poeta segundo Jorge de Lima. Muitas idéias e questionamentos vêm a minha cabeça, depois de perambular por instituições culturais nos últimos três anos com dois de seus últimos livros, um de poesia e outro de crítica de arte. Meus argumentos foram insuficientes para convencer essas instituições da importância de suas publicações. Uma cidade que despreza seus poetas, seus artistas, seus escritores, seus intelectuais, o que celebrar? Mais uma vez a festa, o carnaval, o turismo. Nem mesmo a universidade, as escolas de letras se preocuparam em prestar a atenção na importância da poesia de Wilson para cultura brasileira. "Triste Bahia."

Quem decide sobre a cultura nessa cidade não percebe a diferença entre cultura e educação, entre cultura e entretenimento. Se não temos mais ouvidos para a música de um Caymmi ou para os sussurros de um João Gilberto, que sensibilidade vamos ter para uma poesia sofisticada de um poeta culto como Wilson Rocha?... Um poeta de muitas histórias, de muitas viagens, reais e imaginarias, que uma vez, em Buenos Aires, falou da importância de Machado de Assis para o grande Jorge Luis Borges. Desaparece o poeta mas a sua poesia não. Wilson Rocha é um caso à parte na poesia baiana, solitário, fora do tempo e do lugar, sem pátria, sua geografia é a antiguidade clássica, poeta que imagina a poesia como uma investigação da razão e do sensível, capaz de destilar o mais banal da natureza na mais pura fantasia poética. Foi um crítico de arte atuante na Bahia, juntamente com os irmãos Clarival e José Valadares, quando o meio cultural baiano ainda ignorava as linguagens artísticas modernas, no pós-guerra. Incentivador da renovação da arte baiana, principalmente nos anos 1960, teve atuação decisiva para a realização da primeira Bienal de Artes Plásticas da Bahia.


Salvador, 2005
Almandrade
(artista plástico, poeta e arquiteto)

Setembro de 2011 - 90 anos do poeta

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

dani rauen lançamento

conexões urbanas



Neste sábado mais uma rodada do projeto conexões urbanas no ciep Clóvis Tavares das 14 as 17h com oficinas de gravite, skate, basquete de rua e dança de rua, com Jhony Nunes, Luciano Paes, Jorginho e Tim Carvalho. O Conexões é um Projeto do Sesc Rio executado aqui através do Sesc Campos, com coordenação de Helô Landin e produção de Nelsinho Martins (Meméia).

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

jiddu saldanha entrevista may pasquetti

fonte: http://curtabrisda.blogspot.com 
May Pasquetti é atriz, poeta e completará sua formação em biologia este ano. É Gaúcha de Bento Gonçalves, a cidade que realiza o Congresso Brasileiro de Poesia a quase 20 anos. Atualmente vive e estuda em Porto Alegre. 

Escolhida para protagonizar o primeiro filme do Projeto Cinema Possível em HD, uma produção de 2011; May Pasquetti não é só um rosto bonito das terras gaúchas, mais que isso, ela é uma pessoa que transborda humanidade e inspiração. Sensível, debochada, brincalhona, tem o toque mágico das atrizes de cinema.

May Pasquetti. Um passeio pela cidade de Paris - 2010.
Cinema Possivel – Fale um pouco da sua vida, sua história, as lembranças da cidade de Bento Gonçalves, sua terra natal.

May Pasquetti - Vivi em Bento durante toda a minha infância e adolescência, até os 17 anos. Tenho milhares de lembranças sobre a cidade, de todos os tipos. Bento é uma cidade muito bonita; diria que em uma primeira impressão seria arrumada e aconchegante. É um lugar ótimo para conhecer e passar um tempo, mas sempre tive dificuldades para ver a cidade como minha casa. Imagino que essa sensação tenha relação com a falta de oportunidade para minhas áreas de interesse (artes e biologia) e com o aspecto provinciano da cidade.

A colonização prioritariamente italiana dá um tom conservador e muito ligado as aparências e isso me incomoda! A parte isso, tive uma ótima infância: brinquei muito na rua, subi em árvores, vivia com as pernas roxas! Adorava correr pelo “calçadão”, como chamamos a praça do chafariz de vinho, em frente à prefeitura. Passei boa parte da minha adolescência no shopping Bento com a “galera da lan house”, onde conheci meu primeiro namorado e fiz bons amigos. Não era muito próxima dos meus colegas da escola, na verdade fiquei mais amiga dos meus professores! Enfim, tenho carinho pela cidade, retorno pra lá mais ou menos a cada 15 dias para visitar meus pais, e tenho sim boas lembranças de lá. Recomendo muito para conhecer e realmente há vinhos ótimos e vinícolas lindas! E claro, no Congresso de Poesia, Bento Gonçalves se transforma!

CP – Como foi que você se interessou pela poesia.

MP - Meus pais sempre me incentivaram a ler. Desde pequena fui uma grande devoradora de livros. Descobri alguns poetas nas aulas de português/literatura do colégio, mas o interesse de conhecer mais veio por conta própria. E claro, desde que venho participando do Congresso de Poesia de Bento Gonçalves, e que comecei a me arriscar a escrever, tenho cada vez mais contato.

CP – Quais são seus poetas preferidos, vivos e mortos. Você tem alguma predileção?

MP - Nossa! Posso fazer uma lista enorme. Não tenho predileções. Acho que um dos pontos altos da poesia é justamente o fato dela ser mutável: cada vez que leio um poema surge uma nova interpretação. Então, os meus poetas prediletos acabam variando muito de acordo com o momento em que estou vivendo. Não vou citar nome de amigos pra não esquecer alguém! Mas pra citar alguns dos clássicos adoro Vinícius de Moraes, Mário Quintana, Mário de Andrade, Drummond, Neruda, Torquato Neto, Arnaldo Antunes, Baudelaire, Leminski, Ferreira Gullar, Florbela, Augusto dos Anjos, Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Rimbaud e muitos outros.

os sons lépidos
das palavras sórdidas
de um convite rápido
com desejos tórridos

depois cálida
flutuo límpida
me sentindo única
nos teus braços súbitos

(May Pasquetti)

 CP – No congresso de Poesia, em Bento, você é conhecida por dominar uma parte do repertório do poeta Artur Gomes, como foi que você se aproximou da poesia dele?

MP - Durante o Congresso Brasileiro de Poesia os poetas visitam as escolas da cidade fazendo apresentações e palestras, e a minha foi uma dessas. Lembro de irem dois anos seguidos Artur Gomes, Nayman, Christian (acho que era esse o nome, um menino moreno bem novo, não vi ele nos últimos congressos) e o próprio Jiddu Saldanha (que eu ajudei numa mímica, algo como segurar um copo imaginário que ele enchia). Depois disso procurei o Artur na internet (acho que ele colocou o orkut e o blog dele no quadro) e começamos a conversar. Um dia, perto de julho de 2006, ele me enviou umas cenas de teatro dele, e disse que queria encená-las no Congresso e eu me convidei para participar. Naquele ano Artur foi uma semana antes pra Bento para ministrar uma Oficina de Poesia Falada, da qual também participei, e ensaiamos. Desde então venho participando com ele do Congresso de Poesia. Também fizemos um recital juntos na Fenavinho Brasil 2007 e participamos do III VMH New Scene, no Rio.

May Pasquetti, meio musa, meio poeta, gente por inteira!
CP – Atualmente na universidade, você está estudando em Porto Alegre, fale um pouco da sua formação, projetos para o futuro e possibilidades dentro do mercado de trabalho.

MP - Estou terminando o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. As possibilidades no mercado dentro de Biologia são bastante amplas, o curso permite desde a docência em escolas de Educação Básica até a pesquisa de ponta em grandes empresas e Universidades. Eu pretendo seguir estudando na área de Bioquímica. Vou me formar no final deste ano (2011) e entrar para o Mestrado.

tempo
grandeza vã

capaz de se perder
no espaço
esfacelar-se em pó

dono de longos
e ligeiros passos
faz-se ausente
até deixar-nos
sós

(May Pasquetti)


CP – Como surgiu teu interesse pelo Cinema Possível.

MP - Sou uma grande admiradora de todos os tipos de arte. Conheci o Jiddu no Congresso de Poesia faz 5 anos, e desde então temos feito alguns pequenos filmes, que rodam pelo Youtube. Já vi vários filmes produzidos pelo projeto e achei todas as idéias do Cinema Possível incríveis. Agora em 2010 surgiu essa idéia do curta e Jiddu me convidou para filmar com Artur e Jorge. E tem sido ótimo! Agora não paro mais!

CP – Quem é Mayara Pasquetti por Mayara Pasquetti?

MP - Uma doida responsável, extremamente determinada e persistente, que adora arte de todos os tipos e que tenta fazer as outras pessoas gostarem também, uma (quase) bióloga, alguém que tenta ajudar os amigos sempre que pode, uma aprendiz de poeta, uma chata perfeccionista pra caramba, mas acho que antes de tudo sou alguém em constante aprendizado, que tenta tirar o máximo de todas as situações e que ainda tem muito pra aprontar por aí!

Marisa Vieira comenta May Pasquetti.

A primeira vez que assisti uma apresentação de May Pasquetti fiquei impressionada com tamanho talento de uma moça tão jovem. Praticamente uma "Pagu" da nova geração.

May tem uma ousadia de misturar o sagrado com profano e ainda te deixar com o gostinho de querer beber mais de sua poesia.

No palco é singular, consegue ser várias e ao mesmo tempo uma só, uma atriz revelação, dividir o palco com May Pasquetti foi e sempre será uma grande honra!

Fico por aqui torcendo que o "Brisa" possa soprar aos quatro cantos do mundo e todos possam conhecer o talento e poesia de May Pasquetti.

Navegue no blog de Marisa Vieira - Clique aqui
Conheça a página dela no Alma de Poeta clicando aqui

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fulinaimagem Artur Gomes & May Pasquetti

clic aqui para ver o vídeo

Desde 1996 quando pela primeira vez, convidado por Ademir Antônio Bacca fui ao Congresso Brasileiro de Poesia, que Bento Gonçalves faz parte anualmente da minha agenda na primeira semana de outubro. A experiência vivida na cidade, falando poesia nas ruas, nas praças, nas Escolas no Hospital e no Centro de Recuperação Psiquiátrica, além do convívio com os mais de 100 poetas brasileiros que lá comparece,m a cada edição do evento é indescritível.

Lá estaremos mais uma ao lado de Jiddu Saldanha, Tanussi Cardoso, Ronaldo Werneck, Rodrigo Mebs, Claudia Gonçalves, Laura Esteves, Jorge Ventura, Telma da Costa, Eduardo Tornagui, Dalmo Saraiva, Glauter Barros, May Pasquetti, ee tantos outros poetas brasileiros, chilenos e uruguaios.

Lá conheci minha parceira de palco May Pasquetti e com ela venho desenvolvendo desde 2006 as performances com as quais me apresento no Congresso. Este ano vamos focar poeticamente a loucura e suas múltiplas facetas no recital O Delírio é A Lira do Poeta se O Poeta Não Delira Sua Lira não Profeta, com poemas da minha lavra, além de Torquato Neto, Adélia Prado, Sérgio Sampaio, Eliakin Rufino e Affonso Romano de Sant´anna, o homenageado deste ano.

Afiando a carNAvalha
para Eliakin Rufino

cocada agora
só se for de coco
paçoca de amendoin

cigarro só se for de palha
cacique só se for da mata
linguagem só tupiniquim


bala só se for de prata
água só se aguardente
tônica só se for com gin

estado só se for de surto
eleição só se for sem furto
brilho só no camarim

golaço só se for de letra
ronaldo nem se  for gaúcho
malandro só se mandarim

política só se for decente
partido só sem presidente
governo eu que mando em mim

batismo só se for de pia
congresso só de poesia
reinaldo pode ser   jardim


ArturGomes

programação completa aqui


XIII FestCampos de Poesia Falada


Premiação:
I) Poesias: 1º lugar: R$ 2.200,00 / 2º lugar: R$ 1.700,00 / 3º lugar: R$ 1.300,00 / 4º lugar: R$ 1.000,00 / 5º lugar: R$ 800,00
II) Intérptretes: 1º lugar: R$ 1.700,00 / 2º lugar: R$ 1.300,00 / 3º lugar: R$ 1.000,00


Fonte:
http://www.campos.rj.gov.br/newdocs/1316200198regulamento_festcampos_1.pdf


Regulamento:
1 – O XIII FestCampos de Poesia Falada está aberto a todos os poetas, brasileiros ou não, desde que residentes no Brasil por mais de 2 (dois) anos. Todos os trabalhos devem ser apresentados em língua portuguesa.

2 – Cada autor poderá inscrever uma poesia. A poesia deverá estar assinada e ser remetida apenas com o pseudônimo, em 5 (cinco) vias digitadas em Times New Roman corpo 12, espaço 2, em folha formato A-4, acompanhadas de um único CD com a poesia concorrente.

3 - As inscrições estarão abertas de 16 de setembro a 07 de outubro de 2011. Os envelopes fechados devem ser endereçados ao XIII FestCampos de Poesia Falada, Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima - Praça da Bandeira, s/n. Campos dos Goytacazes-RJ, cep 28.035-119. Para subscritar, o remetente deverá usar apenas o pseudônimo.

4 – A ficha de inscrição, com identificação do autor, autorização para publicação dos trabalhos, caso sejam selecionados entre as semifinalistas, e outras informações necessárias, deverá ser enviada junto, em outro envelope, lacrado.

Ficha de inscrição:
http://www.campos.rj.gov.br/newdocs/1316200447festcampos_inscricao.pdf

5 - As inscrições feitas fora da cidade de Campos dos Goytacazes terão como data válida o dia de postagem no correio em sua cidade de origem, sempre obedecendo ao dia 07 de outubro de 2011 como limite.

6 – Serão classificadas 20 poesias para grande final no dia 28 de outubro de 2011.

7 – As poesias serão selecionadas por uma comissão formada por profissionais ligados às áreas de comunicação, teatro e literatura, escolhida pelo Diretor do Departamento de Literatura da FCJOL e coordenador do XIII FestCampos de Poesia Falada.

8 – Na fase final, a interpretação da poesia poderá ser feita pelo próprio autor ou por pessoa indicada por ele. 

9 – A poesia inscrita não tem a necessidade de ser inédita, desde que não tenha sido classificada nas edições anteriores dos FestCampos de Poesia Falada.

10 – A comissão julgadora para a seleção e para a final do XIII FestCampos de Poesia Falada será formada por um mínimo de 05 jurados, todos profissionais ligados à literatura, teatro e comunicação, escolhidos pelo diretor do Departamento de Literatura da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.

11 – Os trabalhos enviados sem o cumprimento do presente regulamento estarão sujeitas à desclassificação antes mesmo de serem observados.

12 – Os originais não serão devolvidos.

PREMIAÇÃO:
Poesia
Primeiro lugar: R$ 2.200,00 Segundo lugar: R$ 1.700,00 Terceiro lugar: R$ 1.300,00 Quarto lugar: R$ 1.000,00 Quinto lugar: R$ 800,00

Melhores intérpretes
Primeiro lugar: R$ 1.700,00 Segundo lugar: R$ 1.300,00 Terceiro lugar: R$ 1.000,00

Departamento de Literatura da Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima.

Obs.: Criado por Artur Gomes em 1999 o FestCampos de Poesia Falada era realizado em 3 dias, duas semi-finais com 30 poesias cada e uma final com 30 poesia, selecionadas 15 em cada semi-final. Além, de fomentar a cria e interpretação poética, o FestCampos tinha como objetivo também criar um intercâmbio entre os poetas da cidade, e da região com os poetas de outros Estados. Em apenas um dia de evento e com apenas 20 poesias selecionadas esses objetivos jamais serão alcançados, por isso uma reformulação é mais que necessária para que o FestCampos de Poesia Falada volte a ser o que era, poi hoje da forma que é realizado não faz juz ao nome, nem aos objetivos para os quais foi criado.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Paulo Ciranda no Velho Armazem


Paulo Ciranda
Neste sábado, 24 de setembro – 21:00hs
Com participação do percussionista Marcos Niedo
Local: Velho Armazém
Praia de São Francisco, 6 – Niterói-RJ

Tamara & Grupo T.O.M convidam:


Tamara & Grupo T.O.M convidam: 
FEDERAL STEAK - Bar e Restaurante
20 H !!! 
Setor Bancário Sul Qd 02 - Brasília-DF
ao lado do Calaf !!!! 

T A M A R A  S A R A I V A*

Contato Show: 
61. 9188 0661

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A máquina da miséria

                                             arturgomes-fotografia.blogspot.com


E como se atravessasse loucamente
os canaviais de uma Goitacá extinta
e da torre da usina uma fumaça lenta

se adensasse no ar de meus pulmões
já ofegantes; e facões se afiassem
na lima de pérola, e suas lâminas gastas

rapidamente se tornassem reluzidas
nos aceiros da planície, nas ruínas  
da casa-grande, nos escombros da senzala,

a máquina da miséria se revelou
para quem de a enxergar se miopia
e só de a ter imaginado se contorcia.

Apresentou-se clara e sem sangue,
sem grito, sem luta que a tombasse,
já sem muro ou ideologia

que apaziguasse o seu movimento,
sua ira misturada à terra, à cerca
ao suor rançoso e à fadiga,

nada nela anulava o próprio nada
nos pratos, nos bolsos, no vazio
do estômago sufocado e sulfúrico.  

Apresentou-se sem ironia e, calmamente,
entornando o caldo sobre a moenda,
chamava à caldeira o coração moído

de sulco em sulco, cinzas densas
caídas entre foices e lanças,
o cortador se aparafusasse frouxo

na roldana tocada à lágrima
– modo de irrigar os eitos –
e a engrenagem funcionasse

nesses tempos modernos onde
ela, maquiavélica, maquilasse
mãos rachadas, rasas e ridículas.

Era infame aquele andamento,
do cortador a danar os braços,
do maquinário a tinir os nervos

enquanto a cidade convalescendo
entre os mourões a devorar o chão,  
cana por cana, fogo por fogo,

afugentava a desgraça latente
do açúcar a adoçar os brasões,  
como se a vida não fosse ardente

para aqueles negros em grilhões,
sem trancar o engenho do capital,
seus coronéis e seus lamparões.

Foi por um segundo a luminosidade
refletida sob o negrume da fuligem,
mas tempo suficiente para que eu,

aniquilado pela usura que me valia,
pudesse adivinhar o segredo da máquina
que diante de mim, imóvel, se retorcia:  

a partilha errada do único pão
entre lobos selvagens e famintos,
mastigado com cobiça e danação.

Tudo se apresentou num único piscar
involuntário de minhas pupilas lassas
que à realidade se habituaram esquivas

e dessa revelação estive sedicioso
diante dos Airizes e das Sapucaias
que nem a Santa Cruz pode salvar

o Cupim roendo as almas das gentes.
Nesse breve relance o cortador quis
se desparafusar num instante enquanto

de longe buscava a minha compreensão,
mas já fraco, miserável e sem coragem,
como os dedos intocáveis na Cistina,

comprimi o passo, adentrei a lavoura,
segurei o bagaço e do vinhoto solto no ar
fiz  meu alucinógeno e minha eucaristia.

No Rato o sol retirava seu último feixe
e a planície às escuras se recolhia serena
enquanto a máquina da miséria, lúcida,

mais se movia frente às minhas retinas
agora inequivocamente abertas e irritadas
ante os ciscos anuviados da Goitacá.     
      

    
 Fernanda Huguenin
Doutora em etnografia pela UENF

O Nada


Ontem eu vi sua sombra, ela estava pálida e não tinha cor.

Você estava igual. Perguntei-me se não sentir nada era a coisa certa, mas em meio a tantos sentimentos fortes de amor e ódio o nada significaria o que?

O nada, simplesmente o nada, me perguntei quem era você, e se eu te conhecia, o nada, de surpresa o nada se instalou em minha alma, quando então o coração tomou o controle do caminho, você deveria estar lá, mas não era mais você, e o vazio veio em seu lugar.

Há muito não tenho pretensões de te entender, há muito notícias suas não são parte de meus interesses, ontem eu vi sua sombra se esvaindo, um vulto enegrecido com meu sangue, lágrimas congeladas como diamantes perdidos, que ontem eu quebrei. Eu pensei em gritar, mas não tive vontade, não tive vontade de coisa alguma, e o nada era o meio termo que eu precisava para encontrar o equilíbrio.

Ontem eu não precisei da sua ajuda, não precisei olhar no espelho.
Ontem eu não precisei de nada.
Eu vi sua sombra e ela se escondia, e a sua covardia, desde o seu medo até a sua crueldade, ontem falaram palavras mudas e não significaram muito, ontem eu não quis ouvir.

Ontem eu não quis falar, porque o nada me tomou por inteiro, e não pensando em coisa alguma, ontem eu fui feliz.

Ontem eu entendi o nada, ontem eu entendi você.
E ontem já é tarde demais.

Michelly S de Almeida.