terça-feira, 30 de agosto de 2011

tecidos sobre a pele



Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida
entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha
amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade
ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante
minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta
usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro
Goitacá Boy
ando por são paulo meio araraquara
a pele índia do meu corpo
concha de sol da minha veia
em sua carne clara
juntei meu goitacá seu guarani
tupy or not tupy
não foi a língua que ouvi
na sua boca caiçara
para falar para lamber para lembrar
de sua língua
arco íris litoral como colar de uiara
é que eu choro como a chuva curuminha
mineral da mais profunda lágrima
que mãe chorara
para roçar para cumer para tocar
na sua pele urucun de carne osso
minha língua tara
sonha lamber do seu almoço
e ainda como um doido curuminha
a lamber o chão da Guanabara
Alguma Poesia
não.
não bastaria a poesia de algum bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos teus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos
não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador
não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos
não.
não bastaria delirar copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e um cheiro de fêmea no ar devorador
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa mistura de feitiço e fantasia
entre as pedras e o mar do arpoador
em altas ondas de mistérios que são vossos
não.
não bastaria toda poesia que eu trago
em minha alma um tanto porca
este postal com uma imagem meio lorca
um bondinho aterrisando lá na urca
e esta cidade deitando água em meus destroços
pois se o cristo redentor deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre nossos
e na certa só faria poesia com os meus ossos
Artur Gomes
poeta.ator.vídeomaker
http://artur-gomes.blogspot.com

esfinge




poema de Artur Gomes musicado por Rodrigo Bittencourt que será lançado em CD por Daniela Rauen, com show no Renascença em Porto Alegre dia 1 de outubro


o amor 
não e apenas um nome
que anda por sobre a pele

um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a flor da minha pele
consome a pele do meu nome

cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
ana alice/beatriz

assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos

se um dia falta coragem
a noite sobra do medo

na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente

o nome tem seus mistérios
que se escondem sob panos

o sol e claro quando não chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve

o mar que vai e vem
não tem volta

o amor é a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca e a porta
onde o poema não tem fim

artur gomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

zoomin 26 de agosto


como se fosse o trigo


eu quero cada fio 
de cabelo do teu corpo
enrolado entre meus dedos
e tua língua brincando de medusa
quando vem e me lambuza
na saliva do teu céu da boca
eu não te quero santa
eu te quero insaciável louca
de amor de fome e sede
e que coma do meu corpo
como se comesse poesia
assim como se fosse o trigo
do teu pão de cada dia

arturgomes

terça-feira, 23 de agosto de 2011

brega a sátira do cotidiano - sesc campos


Cinema ambiental em seminário nesta quarta - UENF


O seminário da Pós-Graduação em Produção Vegetal desta quarta-feira, 24/08, vai abordar o tema “Cinema ambiental e luta por reconhecimento dos direitos humanos: debate”. O seminário será ministrado pelo doutorando em Políticas Sociais da UENF, Paulo César da Costa Heméritas e será realizado às 17h, no Auditório do P4.

·   Seminário aborda atividade antifúngica de proteínas

A professora Suzanna de Fátima Ferreira Ribeiro (Pós-doc LFBM) ministra nesta quinta, 25/08, às 16h, no Auditório 2 do P4, seminário sobre o tema “Atividade antifúngica das proteínas CaTI e Ca-Alb de sementes de pimenta (Capsicum annuum L.): potencial antimicrobiano sobre leveduras patogênicas”. O seminário integra as atividades do Programa de Pós-graduação em Biociências e Biotecnologia da UENF.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

monólogo do pé vermelho


amanheci o céu na grama amarelecida
só para comê-lo com pão e margarida

já bem tarde, cansado de ser caçado por uma sombra,
rejeitei as sobras de ser ninguém para ser sol na face de alguém

meio urbano meio caipira tangi vinte liras
fora de moda, pois a moda não é violeta, é de viola


fiz-me assim para ser celestino longe do nepal
caçar rimas e colher sons é uma preferência nacional

nesta noite, quando muitos brigam por sobremesa,
fico de tocaia no prazer de virar a mesa

esfomeado, aguardo a saci astronauta
para complementá-la na perna que lhe falta

saciado, adormeço no seio de um riacho
para acordar numa cama de capim

e assim tudo será como sempre foi:
olhar de índio velho, sorriso de curumim

marco cremasco

sábado, 20 de agosto de 2011

Black Billy




ela tinha um jeito gal
fatal – vapor barato
toda vez que me trepava as unhas
como um gato
cantar era seu dom
chegava a dominar a voz
feito cigarra cigana ébria
vomitando doses dos eu cnto
uma vez só subiu ao palco
estrela no hotel das prateleiras
companheira de ratos
na pele de insetos
praticando a luz incerta
no auge do apogeu
a morte não é muito mais
que um plug elétrico
um grito de guitarra uma centelha
logo assim que ela começa
algo se espelha
na carne inicial de quem morreu



Jazz Free Som Balaio
Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midnigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre  minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos
que ardem gemem Arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes



Fulinaíma Produções
poeta.ator.vídeo.maker
 (22)9815-1266

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

muito prazer meu nome é poesia

                                                  arturgomes-fotografia.blogspot.com


agora que as palavras escorrem entre meus dedos e provocam ainda mais teus medos foto grafo folhas semi-mortas e essa coisa torta que me corta feito faca deixo ferir deixo sangrar deixo matar o amor que por acaso me cortou sem saber o bem que me fez e quis fosse ao menos pelo prazer deste poema que agora fiz

arturgomes

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

MONÓLOGO DE UM PÉ-VERMELHO


amanheci o céu na grama amarelecida

só para comê-lo com pão e margarida

já bem tarde, cansado de ser caçado por uma sombra,
rejeitei as sobras de ser ninguém para ser sol na face de alguém

meio urbano meio caipira tangi vinte liras
fora de moda, pois a moda não é violeta, é de viola

fiz-me assim para ser celestino longe do nepal
caçar rimas e colher sons é uma preferência nacional

nesta noite, quando muitos brigam por sobremesa,
fico de tocaia no prazer de virar a mesa

esfomeado, aguardo a saci astronauta
para complementá-la na perna que lhe falta

saciado, adormeço no seio de um riacho
para acordar numa cama de capim

e assim tudo será como sempre foi:
olhar de índio velho, sorriso de curumim



DESERTO

água não escolhe
a face salgada

nem as veias da terra
por onde escorre

mágica
sente-se árida

ante a beleza
de ser nada




CAFEZAIS

nas vidas escondidas
nas vilas

têm-se na mente
lembranças níveas

vermes arejam
granitos

chuva fertiliza
geadas

homens afiam
enxadas de agosto



marco cremasco

terça-feira, 16 de agosto de 2011

sesc campos - conexões urbanas

jhony nunes - oficina de grafite - foto: artur gomes

O Sesc Rio através da unidade Campos, retornou este último sábado com o Projeto Conexões Urbanas. Este mês todas as edições acontecem no Cieps Wilson Batista. Em setembro as atividades acontecerão no Cieps Nova Brasília e em outubro no Cieps Ururaí.

artur gomes poesia in concert



Artur Gomes Poesia In Concert
Dia 26 de agosto – 20:00h – Palácio da Cultura
Campos dos Goytacazes – Rio de Janeiro – Brasil
Espetáculo poético multi mídia onde além de interpretar a sua própria poesia, Artur Gomes interpreta fragmentos de poemas de Torquato neto e Paulo Leminski

Participação Especial: Matheus Nicolau


sábado, 13 de agosto de 2011

federico baudelaire - brasília urgente


federico  baudelaire – brasília urgente – ontem estive com o Fred Maia na Feira da Torre da TV, ele me levou para conhecer o artesanato nordestino, fomos recebidos pela baiana rainha do acarajé, e entre um quitute e outro, algumas louras geladas, Fred me contava da surpresa de ver Hayan tão jovem e gostosa, afirmando ele que ela está bem mais enxuta que Vera Fischer e Carolina Dickman, e muito mais linda até que a mulher do Vice.
Mas o  aparecimento repentino de Regina Red Blue, dizendo-se ex companheira de Hayan me inquietava, pois até então na havíamos encontrado nenhum registro de qualquer relação entre as duas. Ana Alice de Bento, me informava por fax, que lá também nos Alpharrabios da câmara municipal nada foi encontrado a esse respeito. Convidei o Fred e fomos até a UNB no curso de pós graduação em linguagens corporais ver se encontrávamos algo que comprovasse a relação, ma encontramos só o poeminha abaixo:

No Partidão
Sou partida
PC do B
A entrada
Se alguma coisa
Me acontecer na vida
Me procure
No final
Dessa estrada

Hayan Rúbia
Abril/88

Outra coisa que me deixou ainda mais surpreso foi o twitter do Marcio Vaccari dizendo-me ter Hayan passado pelo Vale do Paraíba, na década de 80, onde realizou performance orgásticas, na academia vale paraibana de letras, todas filmadas em Super 8. Ana em sua última postagem revela que contactou um fotógrafa que está investigando se realmente ela dirigiu oficina de linguagens corporais par jovens carentes em Bento, entre 91 e 92, anos que provavelmente ela tenha passado pelo Rio Grande em cia de Clemente Padin.

Portal Cinema Possível Informativo n. 15


DESTAQUES DO MÊS
Enigma – O Código de Hayan Rúbia.
Veja o blog do novo filme do projeto Cinema Possível previsto para 2012. Saiba tudo sobre a poeta mineira que abalou os anos 80, viajou por quase todo o Brasil e América Latina, deixando pelo caminho o lastro de sua poesia.

Mano Melo no Cine Mosquito – Improviso

Entrevista Exclusiva com Luciana Coló.
Conheça a cantora carioca que participa do grupo Mulheres de Chico

Entrevista com Bárbara Vento no blog Mestres Narradores
A atriz nascida em Altamira, no Pará, vive no Rio de Janeiro e foi adotada como figura expoente da cultura do norte do Brasil.

NOVIDADES NO PORTAL
Confira o novo blog do portal voltado para a fotografia

Direto de Macapá.
Pium Filmes participa da primeira jornada amapaense de Cine Clubes, veja vídeo que destaca o projeto Cinema Possívelhttp://youtu.be/TaM75UC-an8

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

o corpo e suas linguagens


cidade nua



 andar
na periferia do teu corpo
cidade nua
trafegar por tuas ruas
caminhar tuas estradas
me enfiar em tuas curvas
se as flores do mal-me-quer
enfrentar a tua reta
re-inventar a pessoa
comer a tua carne
lamber a tua língua
beber o leite dos teus seios
lambuzar teu sexo
quando estiver no cio
soltar pipas ao vento
e tudo mais que re-invento
e quero mais a carnavalha
muito mais a coisa toda
e a moral tropinicalha
eu quero mais é que se foda

 arturgomes

Genial, meu caro Arthur Gomes! adorei conhecer a Hayan



sim, fiz longa caminhada, com a moça, no parque Olhos Dágua na asa norte! fomos depois à Universidade de Brasilia, conhecer o Memorial Darcy Ribeiro, o Beijódromo - nem te conto!


Enfim, nesses tempos de baixa umidade, mas de esplêndido céu azul do Planalto Central, desfrutar da companhia de Hayan Rubia tem sido um deleite. Quanto às fitas e as performances na II Bienal Internacional de Poesia de BSB, conduzida pelo poeta Antonio Miranda, nada me disse.


sim, combinamos de fazer uma visita a Pau Brasilia, loja de plantas do poeta Nicolas Behr, à meio caminho de Sobrandinho. O poeta ambientalista das entrequadras e do cerrado, promove um bate-papo animado todo sábado, num boteco ao lado da loja. No cardápio, muita poesia e uma rabada de primeira, com muito agrião. Creio que Hayan Rubia, vai se refestelar com a iguaria e se animar a dizer versos!


abraços
Fred Maia

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

a flor da tua pele


a flor da tua pele
me provoca amor intenso

mas amor é outra coisa
contrária a tudo aquilo
que penso


por uma lua de água e sal
pelo sol o girassol
pela areia da praia
pela arraia
a vida dos peixes
a tartaruga
a vida pelas rugas
as brigas as intrigas
pelos filhos
pelas filhas
os trapos da mortalha
o carnaval
a carnavalha
pelas tralhas e trilhas
a faca de dois gumes
o fio da navalha

arturgomes

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

artur gomes entrevista celso borges


Celso Borges é de São Luís do Maranhão, onde nasceu em 1959. Poeta, jornalista e letrista, viveu 20 anos em São Paulo e voltou a morar em São Luís em 2009. Parceiro de Chico César e Zeca Baleiro, entre outros, tem oito livros de poesia publicados: Cantanto (1981); No instante da cidade (1983); Pelo avesso (1985); Persona non grata (1990); Nenhuma das respostas anteriores (1996); XXI (2000); Música (2006) e Belle Époque (2010).
No final dos anos 90, inicia pesquisa que reúne poesia e música, com referências que vão da música popular brasileira às experiências sonoras de vanguarda. O resultado desse diálogo está nos livros-CDs – XXI, Música e Belle Époque, com a participação de mais de 50 poetas e compositores brasileiros. Alguns poemas de XXI e Música serviram como base para o Manifesto III, primeiro espetáculo de dança do Grupo Pilares (Palmas-TO), em junho de 2008, que fez uma releitura cênica de poesias de Celso Borges.
Nos últimos sete anos, Celso Borges tem levado a poesia para o palco com os projetos Poesia Dub (2004), ao lado do DJ e pesquisador Otávio Rodrigues; A Posição da Poesia é Oposição (2009), com o guitarrista Christian Portela; e A Poesia Voando (2011), com o dj Beto Ehongue. Eles se apresentaram no Tim Festival (SP-2004); Baile do Baleiro, do compositor Zeca Baleiro (SP-2004); Festival Londrix (Londrina-2006); Catarse (Sesc Pompéia-2009) e Projeto Outros Bárbaros (Itaú Cultural, SP- 2005 e 2007) e no Programa Literatura em Revista (CCBNB, Fortaleza, Juazeiro (CE) e Sousa (PB) – 2010 e 2011).
Em maio de 2009, Celso dividiu o palco com Zeca Baleiro no projeto Parcerias: A voz da poesia, promovido pela biblioteca Alceu Amoroso Lima, em São Paulo. Num papo descontraído, os dois artistas contaram a história de algumas de suas mais de 20 parcerias e de como começaram a compor juntos, nos anos 80, em São Luís.
Celso Borges tem poemas publicados nas revistas de arte e cultura Coyote, Oroboro e Poesia Sempre (Biblioteca Nacional). Ministrou oficinas de poesia em São Luís, Imperatriz (MA) e Palmas (TO). Atualmente, apresenta na Rádio Uol o programa Biotônico ao lado de Zeca Baleiro e do DJ Otávio Rodrigues.

Leia entre vista na íntegra aqui