quinta-feira, 28 de julho de 2011

a força cultural que vem da baixada fluminense


O legado de Solano Trindade é um dos maiores Bens Culturais do Brasil. No evento de estréia do documentário que conta parte de sua vida, além da história, conhecemos seus parentes e alguns detalhes que só o povo mais chegado conhece.

Poetas, escritores, artistas plásticos, músicos, compositores e amantes do cinema lotaram o Teatro Raul Cortez, mostrando a força cultural da Baixada Fluminense.

Estava no ar o orgulho de uma produção independente, realizada com artistas e produtores locais .  Um exemplo de garra e superação sem igual.

Como já expliquei, minha alegria se torna maior, pois, conheci o projeto ainda em sua fase inicial, lá na Biblioteca Comunitária, em Cangulo, há anos atrás.

Álvaro Maciel - 28/07/2011.

O vento forte do Levante vem de Duque de Caxias!
“Vento forte do Levante – Solano Trindade”


Quando pensamos na Biblioteca Comunitária no Cangulo, não havia outro nome homenagear do que Solano Trindade. Uma varanda, centenas de livros, um nome e a Esperança de que a partir dali faríamos ecoar em Duque de Caxias a importância que Solano tinha não somente para nossa cidade, mas para todo o Brasil.

E quando pensamos num documentário sobre Solano Trindade, não hesitamos em convidar Rodrigo Dutra, não somente por sua petulância política, ou pela veemência de suas atitudes e posições, mas pela ligação mais que ideológica com Solano, é a aspiração do sonho de uma sociedade justa e solidária que Solano também tanto acreditou e lutou.
         
 “Vento forte do Levante” vem coroar uma nova geração que mais do que nunca se inspira em Solano, não somente porque ele foi e continua sendo o Poeta do Povo, mas essencialmente é o que mais representa o novo pulsar cultural de Duque de Caxias. Resistimos com nossas próprias forças, mas a abnegação e compromisso com suas raízes nos inspira a continuar lutando, não somente por Solano Trindade se fazer vivo em nossas mentes, mas por todos aqueles que ainda acreditam num Vento forte do Levante ainda é possível!


Antonio Carlos de Oliveira
Caminhante Sonhador
Estréia do Documentário "VENTO FORTE DO LEVANTE - SOLANO TRINDADE"
 

 Antonio Carlos:
O Documentário "VENTO FORTE DO LEVANTE - SOLANO TRINDADE", tem como um dos produtores o Prof. Antonio Carlos de Oliveira - Coordenador da Biblioteca Comunitária Solano Trindade, e morador do Cangulo.
A poética e a vida de Solano Trindade, o “Poeta do povo”, invadiu a grande tela no ontem 27/07. 

O filme conta com a participação especial do bisneto de Solano, Zinho Trindade, que brinda o telespectador com intervenções poéticas. “Solano deixou plantada belas sementes. Na família Trindade todo mundo é artista. Em especial, me encantei por Raquel Trindade (filha do poeta), que me cedeu muitas fotografias e um local para ficar durante a produção. Os demais familiares também me ajudaram muito nessa busca de tentar entender o universo boemio-político-poético do ‘Poeta do povo’”, conta Dutra Dutra.

FICHA TÉCNICA
Direção, edição e pesquisa: Rodrigo Dutra
Cinegrafismo: Guilherme Zani, Márcio Bertoni, Pablo Pablo
Produção: Rodrigo Dutra, Antonio Carlos (Cangulo), AnguTV!
Trilha original: Michael Sexauer
Música Tema: Luciana Savina
Voz Over: Godot Quincas
Intervenção poética: Zinho Trindade
Ator: Amenduim Duim
Co-Produção: CRPH-BF, Nibrach, Biblioteca Comunitária Solano Trindade (Cangulo)

 


 Álvaro Maciel  Secretário de Cultura do PT/RJ
cel. 9956-1351 / 9948-2770
visite o Blog da Cultura

http://culturaptrj.blogspot.com

quarta-feira, 27 de julho de 2011

quero te ver linda e sexy


quero te ver linda e sexy
por todo mês de outubro
com flores da primavera
nascendo em teus cabelos
quero saber dos teus pêlos
e tudo mais que não sabia
se usa calcinha branca
ou usa somente de dia
se vai a missa aos domingos
e depois da feira o mercado
se gosta de street dance
ou prefere o samba rasgado

artur gomes
http://pelegrafia.blogspot.com

segunda-feira, 25 de julho de 2011

todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes


jura secreta 128

a carne que me cobre é fraca
a língua que me fala é faca
o olho que me olha vaca
alfa me querendo beta
juro que não sou poeta
a ninfa que me ímã
quando arquiteta
o salto da abelha
quando mel em flor
e pulsa pulsa pulsa
a matéria negra cor
quando a pele que veste é nada
éter pluma seda pêlo
quando custa estar em arcozelo
desatar a lã
dos fios do novelo
no sol de amsterdã
desvendar hollanda
e os mistérios da palavra
por entre os cotovelos


jura secreta 129

a coisa que me habita é pólvora
dinamite em ponto de explosão
o país em que habito é nunca
me verás rendido a normas
ou leis que me impeçam a fala
a rua onde trafego é amplo
atalho pra o submundo
o poço onde mergulho é fundo
vai da pele que me cobre a carne
ao nervo mais íntimo do osso

arturgomes
http://juras-secretas.blogspot.com/

sexta-feira, 22 de julho de 2011

injúria secreta






suassuna no teu corpo
couro de cor compadecida
ariano sábio e louco
inaugura em mim a vida

pedra de reino no riacho
gumes de atalhos na pedreira
menina dos brincos de pérola
palavra acesa na fogueira

pós os ismos tudo é pós
na pele ou nas aranhas
na carne ou nos lençóis
no palco ou no cinema
o que procuro nas palavras
é clara quando não é gema

até furar os meus olhos
com alguma cascata de luz
devassa em mim quando transcende
lamparina que acende
e transforma em mel o que antes era pus

arturgomes

terça-feira, 19 de julho de 2011

esfinge


o amor
não e apenas um nome
que anda por sobre a pele

um dia falo letra por letra
no outro calo fome por fome
é que a pele do teu nome
consome a flor da minha pele

cravado espinho na chaga
como marca cicatriz
eu sou ator ela esfinge
clarisse/beatriz

assim vivemos cantando
fingindo que somos decentes
para esconder o sagrado
em nosso profanos segredos

se um dia falta coragem
a noite sobra do medo

na sombra da tatuagem
sinal enfim permanente
ficou pregando uma peça
em nosso passado presente

o nome tem seus mistérios
que se esconde sob panos

o sol e claro quando não chove
o sal e bom quando de leve
para adoçar desenganos
na língua na boca na neve

o mar que vai e vem
não tem volta

o amor é a coisa mais torta
que mora lá dentro de mim
teu céu da boca e a porta
onde o poema não tem fim


artur gomes

quinta-feira, 14 de julho de 2011

baby é cadelinha



devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro
visto uma vaca triste como a tua cara:

estrela cão meu gatilho morro
a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez quem não me disse
ferve o olho do tigre quando plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de eros
fisto uma festa a mais que tua vera

cadela pão meu filho forro
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos quem incesta
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra:

panela estrada grão socorro
a poesia é o fausto de uma farra

artur gomes

Profanalha Nu Rio


 


a flecha de São Sebastião
como Ogum de pênis fala
perfura o corpo da Glória
das entranhas ao coração

do Catete ao Largo do Machado
onde aqui afora me ardo
como bardo do caos urbano
na velha aldeia carioca
sem nenhuma palavra bíblica
ou muito menos avaria

orgasmo é falo no centro
lá dentro da candelária

arturgomes
http://carnavalhagumes.blogspot.com/


jazz free som balaio


ouvidos negros miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma antiVersão de blues
nalguma nigthe noite uma só vez

pouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midinigth ou aVersão de brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao ter-te arte nobre minha musa odara

ao toque dos tambores ecos suburbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos pratos
delícias de iguarias que algum deus consente
ao gênios dos infernos que arde gemem arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de mútiplas metades juntas numa parte

arturgomes
http://pelegrafia.blogspot.com/


fulinaimagem

1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os  espinhos da Rosa de Noel

artur gomes